Difícil encontrar uma pessoa que nunca tenha se deleitado com histórias como as da Turma da Mônica, Batman, Super-Homem, Luluzinha, Homem-Aranha, X-Men, Marvel e assim por diante. Cores vivas, suspense e enredos fictícios fazem parte das “histórias em quadrinhos”, que prendem atenção, não somente da criançada, mas das gerações subseqüentes desde sua criação.
A arte de narrar uma história por meio de seqüências de imagens, desenhos ou figuras impressas com diálogos e pensamentos dos personagens chegou ao ponto de os super-heróis se tornarem “produtos” no mercado. Eram e são encontrados nas lojas: cadernos, camisetas, bonecos, canecas, fantasias do Batmam, Homem-Aranha, SuperHomem e dos mais diversos super-heróis.
Histórico
O primeiro “sucesso” foi publicado em Londres, 1890, pela primeira vez como revista semanal com histórias desenhadas do “Yellow Kid” (o Garoto Amarelo) e era chamada de c omic cuts. A primeira tiragem alcançou 300 mil exemplares, e a partir dali o sucesso não pararia de ser impresso.
No Brasil, o italiano Angelo Agostini, desenhou e publicou em 1869 na revista Vida Fluminense , o quadrinho As Aventuras de Nhô Quim ou Impressões de uma viagem a Corte .
Com o tempo, os comics foram se tornando mais e mais populares e passaram de tirinhas e suplementos de jornais para materiais impressos por editoras independentes. Uma nova fase começaria. Até então os super-heróis não existiam.
Fase inovadora
Quem não se lembra do jornalista Clark Kent que veio parar na terra, com força sobrenatural, o poder de voar, visão de raios-X, vestido com uma capa vermelha quando atua como herói, e imortal? Ou então do menino que numa excursão escolar a um museu é picado por uma aranha, e assume as habilidades de aracnídeos e as usa na luta contra o mal?
Em 1940 é criada a primeira história em quadrinhos de ficção, chamado Planet Comics . Juntamente surge o primeiro grupo de super-heróis: A Liga da Justiça .
Os Estados Unidos passavam por uma fase deliciada. Estava se recuperando da grande depressão, o mundo queria esquecer o terror da guerra e pensar num futuro promissor. E nesse contexto os “super-heróis do bem” criavam um clima de esperança, e davam suporte e estrutura à sociedade americana.
Os super-heróis estariam apenas alimentando uma esperança de paz? Ou educando com valores fictícios?
O jornalista Michelson Borges, em seu livro “Nos Bastidores da Mídia – Como os meios de comunicação afetam a mente” , conta que em sua adolescência metade de seu guarda-roupa era usado somente para guardar centenas de revistas em quadrinhos, e que frequentemente após ler seus gibis favoritos; Homem-Aranha, Super-Homem, Vingadores , entre outros “achava a vida real uma chatice”.
E ela se tornara uma chatice porque a realidade estaria sendo ditada pela mídia, no caso, os quadrinhos. “A criança não tem um senso auto-crítico de refletir nas ideologias da realidade e prefere os quadrinhos, pois é dentro deles que milhares de aventuras acontecem, em forma de ficção”, afirma Marly Timm, mestra em Educação e professora universitária no Unasp (Centro Universitário Adventista de São Paulo).
Eras da mentira
Os diversos estilos de quadrinhos são notados ao longo de sua história na trajetória que têm sido traçada. Essa história também foi dividida em “eras”. Na chamada “Era de Outro” (1938-1955) os heróis eram ingênuos, não causavam mal algum, e tinham muitos poderes. Na “Era de Prata” (1956-1972) os heróis foram reformulados. Agora se preocupavam com a terra e combatiam ameaças cósmicas.
De 1986 em diante, na “Era Moderna”, os quadrinhos se tornaram um veículo poderoso de divulgação de filosofias anti-religiosas. Como prato principal fica implícita a violência: Alguns heróis matavam, aleijavam e assim por diante.
Um exemplo real desse tipo de filosofia é o episódio A morte do Supermam, que foi um sucesso de vendas. No episódio o super-herói morria e se encontra com seu pai agonizando num “limbo espiritual”, onde lhe é passado o conceito de que o mundo dos mortos não era para ele. “Garoto, só acho que você veio parar aqui porque foi criado com o conceito de mortalidade”, afirma Jonathan Kent, pai adotivo do kryptoniano Clark Kent, o Super-Homem.
O super-herói que era um sucesso de vendas não poderia simplesmente morrer. Sendo assim, uma edição especial chamada Além da Morte foi publicada, e o Super-homem de fato ressuscita e volta a Terra com os antigos super poderes.
Marly Timm comenta que “hoje, os quadrinhos não são o veículo de maior atração, mas que de qualquer forma, as pessoas que criam as histórias conseguem fazer com que os leitores (em sua maioria crianças) fiquem fascinados pelo texto, enredo, imagens e cores”. Acrescenta que na maioria das vezes “os pais são compradores passivos, pois desenhos que eram de sua época ressurgem hoje nos quadrinhos. Não se dão conta, porém, de que esses antigos personagens voltam com outra roupagem, e enrustidos vem o misticismo, sexo explícito, entre outros fatores prejudiciais para o desenvolvimento da criança”.
Gírias e palavrões são facilmente encontrados nos mais diversos gibis. “As crianças também adotam um novo vocabulário baseado na influência que os gibis causam em sua mente”, afirma Marly Timm. E para aqueles que pensam na possibilidade de uma ou outra revista ser ingênua, é aí onde mora o perigo. Mensagens subliminares são facilmente exploradas por meio de imagens e cores.
“Os gibis causam impacto e fixam idéias na mente das crianças. Aquilo fica armazenado e em algum momento tudo aquilo volta, e se não foram armazenados valores bons não adianta...”, conclui a professora Marly.
A partir disso cabe ao leitor escolher quadrinhos “do bem” que retratem ideologias duradouras, ao invés de valores fictícios. |