“Mais rápido que uma bala.
Mais forte que uma locomotiva.
Capaz de saltar sobre os prédios mais altos com um simples pulo.
Olhem! Lá no céu! É um pássaro! É um avião! Não! É o Super-Homem!”
O estranho ser de outro planeta, chega ao planeta azul com um excelente gosto. É jornalista. É claro que nas horas vagas, muda curso de rios, e dobra pedaços de aço com as mãos para deter o mal de Metrópolis, travando uma batalha pela “verdade, pela justiça e pela América.”
Nas décadas de 30 e 40 a principal novidade na história dos comics, foi o surgimento de um novo formato chamado comic book, uma adaptação em quadrinhos das novelas pulp fiction (revistas de grande circulação nos EUA). Esses livrinhos foram responsáveis por impulsionar o sucesso das histórias em quadrinhos. Era uma leitura freqüente entre os soldados em campanha.
O Superman foi, sem dúvida, o mais importante personagem das histórias em quadrinhos e que recebeu congregações de fãs. O astro surgiu no verão de 1933, quando Jerome (Jerry) Siegel (1914-1996), com 19 anos e apaixonado pelos pulps, conversou com seu amigo desenhista Joseph (Joe) Shuster (1914-1992), e juntos desenvolveram um fanzine mimeografado chamado Science Fiction. Jerry escrevia, Joe ilustrava. O resultado: sucesso.
Na edição de janeiro de 1933, eles publicaram uma história intitulada O Reino de Super-Homem. O personagem principal possuía fabulosos poderes mentais, porém utilizava-os para fazer o mal. De todos os poderes imaginados para o Superman, Jerry apenas manteve a visão de raio-x.
Na época, os Estados Unidos estavam se recuperando da grande depressão. Sonhar com o futuro e com tempos melhores era possível por meio de novas descobertas e principalmente pelas histórias em quadrinhos. Pensando nisso. Sem dormir. Jerry abriu a janela e pensou. “Claro! Voar!”. Nascia um dos mais famosos e importantes personagens das histórias em quadrinhos de todos os tempos, o Super-Homem.
Como todo herói americano, o “Homem de Aço” não escapou aos apelos do patriotismo, afinal ele era o defensor da América (apesar de nem ser humano). Por ocasião da Segunda Guerra Mundial o super-herói formou junto com os soldados as fileiras contra o império nazista, a pedido do presidente Roosevelt.
Nos primeiros anos, o Superman não era tão poderoso quanto é hoje. Sua força era limitada. Ele não voava, nem possuía vários tipos de visão que tem atualmente. Apenas pulava como Hulk. As histórias deste período mostravam um Super-Homem no campo de batalha contra o inimigo número 1: o Reich. Afinal de contas, nada melhor para um americano da década de 40 do que um cara vestido com a bandeira dos EUA esbofeteando Hitler. Daí a frase de Goebbels, “O Super-Homem é judeu!”.
Siegel e Shuster venderam, logo no início, os direitos sobre a criação para a editora da Action Comics, nunca recebendo os royalties pelo uso de seu personagem.
A História
A história do Super-Homem começa com a destruição do planeta Krypton. Seu pai Jor-El, em último ato desesperado, construiu um foguete a fim de abrigar seu único filho Kal El e salvá-lo do destino iminente de todos os kryptonianos. O planeta Terra foi escolhido pelo pai a propósito, pois mesmo sendo um mundo muito atrasado tinha algumas particularidades. Kal-El, se exposto aos raios de um sol amarelo - e isso a Terra tem de sobra - ganhava poderes, com força quase ilimitada, invulnerabilidade, capacidade de voar com enorme velocidade, visão de calor, super-sentidos, etc.
O pequeno foguete aterrissou nos EUA, em Kansas, Pequenópolis, onde foi encontrado por Jonathan e Martha Kent. O bebê de Krypton foi logo batizado como Clark Kent. No filme Superman: o Filme, o super-homem já tinha poderes desde criança, diferente dos quadrinhos, no qual Clark só descobriu seus poderes quando já era adolescente, e só os teve em totalidade quando adulto.
Aos dezoito anos, Clark deixa os pais para explorar a Terra. Anos mais tarde, ele ingressa na faculdade de jornalismo. Muda-se para Metrópolis, uma das maiores cidades do mundo. Foi durante o lançamento de um ônibus espacial que ele estreou como Superman, mas sem uniforme. Louis Lane, famosa repórter do maior jornal de Metrópolis, estava a bordo.
Depois do feito, Clark sofreu muito assédio e percebeu que teria que ter uma identidade secreta. Seus pais confeccionaram um uniforme, sem máscara, para não despertar dúvidas sobre uma identidade secreta. Clark se torna um grande repórter. Daí para frente a história continua. Muitas jogadas de marketing se seguiram. De lá pra cá ele se casou. Morreu. Ressuscitou. Tudo pelo dinheiro.
Nas telas
O Superman estreou na TV americana em 1953 com o ator George Reeves, que se tornou um astro do cinema. A idéia de levar o super-herói dos quadrinhos para as telonas pela primeira vez partiu do produtor Robert Maxwell. O roteiro foi de Whitney Ellsworth.
A primeira opção foi de fazer um longa metragem para a TV, pois não estavam seguros sobre a viabilidade da série. O filme Superman and the Mole Men foi filmado em pouco mais de 12 dias na Califórnia. Pura ficção, a série mostrava o personagem combatendo uma raça de seres subterrâneos.
Depois desse filme piloto a série acabou sendo aprovada, mas sua estréia ocorreu apenas em 1953. Na prática, se tratava de uma “versão com imagens” do velho seriado radiofônico que Maxwell havia criado nos anos 40.
Detalhes. Na abertura, uma narração em off com o texto clássico enaltecendo as habilidades do Super-homem com frases tipo “mais rápido do que uma bala”. A abertura mostrava o Superman em sua pose tradicional e é claro, a bandeira americana ao fundo. Esse tom patriótico da série fundia bem com o clima da época, marcada pela vitória recente na Segunda Guerra Mundial e pelos primeiros movimentos da Guerra Fria.
A partir daí, a mídia explorou o herói. Superman I, I, e Smallville são sucessos que permanecem por décadas. São dezenas de sites na internet para história, fã-clubes e afins. Não foi a toa que o homem, sendo de aço, sobreviveu tantos anos no topo dos famosos personagens em quadrinhos. |