Bastou a picada de um aracnídeo para mudar a história de Nova York. Mais ainda para o jovem Peter Parker, um estudante universitário de aproximadamente 20 anos, órfão criado pelos tios May e Ben Parker. Tímido, desajeitado com mulheres, “crânio” da escola e de poucos amigos. Esse é o perfil do herói escalador de paredes e prédios: Homem-Aranha.
Criado em meados da década de 60, o Homem-Aranha veio para levantar o Ibope dos super-heróis que estavam quase se candidatando a aposentadoria como o Batman e o Super-Homem. Os criadores do personagem, Stan Lee e Steve Ditko, deram a ele um perfil e história bem melancólica e um temperamento anuviado como reflexo do estado de espírito vivido por eles, principalmente o de Lee.
Peter sofre de um amor platônico, desde os seis anos de idade pela filha de seus visinhos: Mary Jane Watson. Mas esta nunca o notava e sempre estava de namorico com os populares da escola. Até o dia em que seu amigo mascarado, que na verdade é seu colega de faculdade, o salva depois de ter se tornado um super-herói.
Surge o herói
A história começa quando é realizada uma excursão do colégio. Peter e outros colegas da visitam uma exposição de equipamentos radioativos e uma aranha pica uma das mãos dele. O veneno provoca uma alteração no DNA de Parker, e de tímido e indefeso ele passa a ter poderes especiais como uma força descomunal, reflexos aperfeiçoados, sentidos de aranha e lançadores de teias artificiais.
Ao descobrir suas novas habilidades, Peter Parker procura ganhar dinheiro as custas dos poderes para comprar algo que impressione a sua amada Mary Jane. Na mesma noite em que deveria receber a recompensa por ter vencido uma luta, ele deixa escapar o ladrão que minutos depois mataria o seu tio, Ben Parker.
A morte do tio e a tristeza de sua tia May deixam o jovem Peter mais consciente da verdadeira causa e utilidade de seus poderes ao lembrar de uma frase seguidamente dita a ele pelo tio falecido: “Com grandes poderes, sempre vem grandes responsabilidades”.
Sentindo o peso das responsabilidades, Peter Parker cria um uniforme definitivo e sai em defesa da sociedade escalando as paredes das ruas de Nova York como Homem-Aranha.
O amigo da garotada
O que faz o público se sentir cativado pelo Homem-Aranha é que apesar de ser um super-herói, ele não passa de um garoto comum, que sofre com problemas de um ser humano qualquer. Problemas financeiros, as implicâncias por parte do valentão da escola entre outros conflitos.
Além disso, outro grande problema para Peter é ser “louco de amores” por Mary Jane, mas esta não sabe quem ele é, e apenas se importa com o herói que vem salvá-la. Ele se sente muito mal em não poder ficar com ela e nem revelar a sua verdadeira identidade por temer que os inimigos a prejudiquem apenas para atingí-lo.
Atendendo as necessidades norte-americanas
O Homem-Aranha foi o primeiro super-herói a ter o sentimento mais sombrio de culpa e também foi o primeiro a não ter medo de lucrar com os seus poderes. Um exemplo é que ele vende suas próprias fotos para os jornais de Nova York como o Clarín Diário.
Seu surgimento tem a ver com o contexto político e social estadunidense na década de 60, quando houve um período de declínio da popularidade das histórias dos super-heróis em quadrinhos.
Isso porque houve um período de auge dos super-heróis em 1938 e início da década de 40. Já nos anos 50, os heróis começaram a perder a sua popularidade pelo fato de que os Estados Unidos estavam passando por um momento de mudanças de âmbito artístico, cultural e político. Por isso, no início da década de 60 era preciso de super-heróis mais complexos e que ao mesmo tempo fossem mais espontâneos e irreverentes.
Toda a pose de “bons moços” dos heróis como Super-Homem e Batman já não estavam mais sendo suficientes. Tudo porque com o final da Segunda Guerra Mundial e o capitalismo atingindo a sua estabilidade provocaram novas necessidades imaginárias na sociedade.
Com sua cultura alterada, os jovens eram vistos como consumidores em potencial. Ao mesmo tempo a indústria cultural estava em expansão. Por isso o Homem-Aranha veio na hora e medida certa. Os jovens norte-americanos precisavam de um herói que se igualasse a eles com suas irreverências e ironias. Os quadrinhos começaram a ser mais consumidos por eles na época e esse foi o trampolim do sucesso para o personagem.
Sensacionalismo escancarado
Tanto as revistas em quadrinhos quanto os dois filmes do Homem-Aranha tratam basicamente dos mesmos tipos de conflitos, pelo qual o personagem se depara. Mas um fato interessante nos filmes é como a mídia é tratada.
O diretor de redação sempre reforça que a mídia, mais especificamente o seu jornal – Clarín Diário é quem dita o que a sociedade pensa, e também como ela se deixa levar pelo que a mídia a faz crer e não pelos fatos reais.
O herói está sempre alerta para salvar quem estiver em perigo e, no entanto o Clarín quer pintá-lo como um vândalo, criminoso ou qualquer outra coisa que denigra a imagem dele.
O Clarín faz alusão à maioria dos jornais que usam de sensacionalismo para atrair os seus leitores. Fazer do Homem-Aranha uma ameaça vende mais do que mostrar que ele é apenas um defensor da segurança pública nova-yorkina. A visão capitalista chega a cegar até mesmo os filmes de histórias em quadrinhos.
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