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Diesel do jornalismo |
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| Rodrigo Galiza |
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O cérebro humano é movido à informação. E hoje o que não falta é informação. Um outdoor na rua, rádio, TV, jornais, livros... A lista é numerosa. Todos eles com o objetivo de informar. Informação e jornalismo são inseparáveis. Num sentido amplo, todos somos jornalistas. Os jornalistas são os profissionais da informação. Todos sabem contar, mas só um engenheiro elabora cálculos para construção de um edifício. Assim, o ser humano também conta o que aconteceu, mas só um jornalista aprende as técnicas de como transmitir melhor as informações sobre os fatos. Dentre as várias técnicas existe o jornalismo literário e o factual. Um enfatiza a emoção e o outro a razão. O literário é mais subjetivo e o factual mais formatado. Um livro-reportagem é mais livre em estilo enquanto o noticiário da noite na TV é mais objetivo. O literário humaniza mais a informação. O jornalista literário, num acidente rodoviário expressa o que o envolvido está sentindo. Para o factual: “morreram 124 pessoas em um acidente de ônibus”. Ambos são reportagens que trabalham com fatos. Mas a perspectiva que é transmitida muda de uma para outra. No artigo “Jornalismo Literário no Cinema” o jornalista Edvaldo Pereira Lima explica que jornalismo literário e factual são atitudes de reportar uma realidade . Ambas podem ser usadas na produção de grandes reportagens. De acordo com uma pesquisa publicada em artigo na revista do Intercom (Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação) revelou que o jornalismo literário é o mais aceito pelo leitor. Talvez por envolver mais aquele que lê com a notícia, tornando-o quase participante do ocorrido. Ao contrário do estilo factual - que é mais direto - acaba tornando a informação um tanto seca para ser digerida pelo leitor, que se sente distante do acontecido. Mas apesar da preferência, o factual continua a ser o mais consumido. O literalismo em reportagens adquiriu um grande avanço no Brasil na década de 60 com o Jornal Pasquim e a Revista Realidade. No contexto de nacionalização, do populismo na política brasileira, esse estilo tinha um farto material a ser reportado. O site wikipedia.com apresenta um artigo sobre Jornalismo Literário que enumera “Jornalistas-escritores como Gay Talese, Norman Mailer, Truman Capote, Marcos Faerman, José Hamilton Ribeiro, Roberto Freire e Luiz Fernando Mercadante, para citar apenas alguns norte-americanos e brasileiros”. Eles fizeram parte de um grupo de jornalistas-literários. As grandes reportagens tomavam conta de revistas como O Cruzeiro, Manchete e Fatos & Fotos, e diários como O Jornal, Diário Carioca, Correio da Manhã e O Globo. A Revista Realidade vinha ás vezes com cerca de 13 reportagens em cada número feitas com até três meses de antecedência. Ainda hoje existem produtores de grandes reportagens, feitas em estilo literário. Em muitos livros há uma mistura de ficção com a realidade. Jogo Duplo do jornalista e ex-correspondente de guerra no Líbano, Sílio Boccanera e No Olho do Furacão do jornalista e professor do Unasp, Ruben Dargan são alguns esxemplos. E alguns internacionais como Em nome de Deus, que investiga a morte do Papa João Paulo I, produzido pelo renomado David Yallop. Na área televisiva, onde as reportagens ganham mais vida, podem-se destacar alguns trabalhos nos últimos anos como do documentário Edifício Master de Eduardo Coutinho, Paulinho da Viola - Meu Tempo É Hoje de Isabel Jaguaribe, Nelson Freire do cineasta João Moreira Salles e a trilogia Futebol, parceria de João Moreira Salles e Arthur Fontes. Eles mostram o cotidiano dos personagens envolvidos. Edifício Master expõe o cotidiano dos moradores de um famoso edifício em Copacabana, no Rio. O combustível mais usado pelos jornalistas continua sendo o factual, mas o mais durável é sem dúvida o literário, o diesel do jornalismo. Um dos motivos é o estilo de vida moderna que não proporciona muito tempo para a sociedade se deliciar com boas reportagens feitas numa maneira mais humanizada, emocional, romantizada. Isso requer um pouco mais de tempo e reflexão, pois elas são normalmente maiores ou mais difíceis de serem entendidas do que as factuais. Assim como a gasolina é de consumo rápido, mas é o mais usado. O factual continuará a ser o principal combustível do jornalismo. Mas o literário sempre durará mais. |
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