home |
 

Informação acima do medo

Miguelli Simioni

Buscando informações no meio das operações de guerra, denunciando contrabandos de drogas, armas, ouro e falsificação de dólares, Humberto Trezzi é conhecido hoje pela sua coragem e ousadia. Como fruto do seu bom trabalho, Trezzi já recebeu 23 prêmios de jornalismo, entre eles o prêmio Esso, um dos mais importantes do Brasil. Foi a partir deste prêmio que Trezzi ficou conhecido nacionalmente.

Trezzi nasceu em 20 de novembro de 1962 na cidade de Passo Fundo, Rio Grande do Sul. Tempos depois, ele foi morar na cidade Carazinho, no mesmo estado. Lá iniciou suas atividades escolares, completou o ensino médio e como a maioria dos adolescentes, não fazia idéia de qual profissão iria seguir.

Ao prestar vestibular na Pontifícia Universidade Católica de Porto Alegre (PUC-RS), não sabia qual curso escolher. Então teve a “brilhante” idéia de fazer u-ni-du-ni-tê na lista de cursos. O resultado: Jornalismo. Como Trezzi detestava números e gostava de ler, o curso foi bem vindo. Durante o período da faculdade trabalhou como Boy para sustentar gastos pessoais, já que seu pai pagou seus gastos da faculdade. Com o incentivo do professor, Marques Leonam, Trezzi consegui terminar o curso de jornalismo.

Em 1984 conseguiu seu primeiro emprego no jornal O Repórter, na cidade de Guaíba, na região da Grande Porto Alegre. Depois do primeiro emprego não parou mais. Escreveu para o Jornal Metrô, que circulava gratuitamente no metrô da região sul. Passou pela Gazeta Mercantil, depois foi para o Diário do Sul, um jornal que durou dois anos e que era vinculado à Gazeta. E por fim chegou ao maior jornal da região sul do Brasil, o Zero Hora, onde trabalha até hoje.

Por possuir uma forte determinação e ousadia, muitas oportunidades começaram a surgir. Recebeu inúmeros convites para exercer o cargo de assessor de imprensa, mas preferiu continuar com sua paixão, a função de repórter.

Na sua carreira como repórter, a matéria que mais marcou Humberto Trezzi foi "Fronteira do Crime", na qual ele juntamente com sua equipe denunciou mais de 40 pessoas envolvidas em delitos no eixo Brasil-Uruguai. Foi com essa reportagem que ele ganhou um dos principais prêmios jornalísticos do Brasil, o prêmio Esso Regional.

Outras matérias também foram especiais para ele: Uma viagem inesquecível à Angola, onde relatou a missão de Paz do Brasil, durante um cessar-fogo durante a guerra civil, em 1996. Outro trabalho de repercussão foi sobre as fraudes no Bolsa-Família, que levou à revisão do cadastro e descoberta de mais de 130 mil beneficiados-fantasmas, além de investigar o tráfico de drogas no Rio de Janeiro. Mas de acordo com o repórter, a matéria mais importante é sempre a próxima.

Por exercer um bom trabalho, Humberto Trezzi, já fez várias reportagens no exterior. Na Colômbia acompanhou a operação de guerra do Exército que resultou na morte de 11 guerrilheiros das Farc, em 2003. Já em 2004 no Timor Leste, acompanhou soldados da Missão de Paz e fez o mesmo no Haiti, em dezembro de 2005. Sempre buscando mais conhecimento e proteção, Trezzi fez um curso para Correspondentes em Áreas de Risco, organizado pelas Nações Unidas em Campo de Mayo, Argentina. 

Mesmo com muita história pra contar, Humberto Trezzi ainda não escreveu um livro, já que há pouco espaço para venda de obras sobre o crime, área em que mais fez reportagens no País. Ele acredita que prêmios são de grande importância, pois tornam o jornalista conhecido, além de abrir espaço no jornal. Com tantos anos de experiência, Trezzi comenta que "o sucesso no jornalismo está em fazer o que se gosta com dedicação, dar vazão à curiosidade e não reclamar o tempo todo de pauta ruim".