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Velhinho novo em folha 

Carolina Riguengo

Velho Novo Jornalismo, de Gianni Carta (Editora Codex; 2003; 223 páginas; R$ 23,20)

Jornalismo é envolvente. Ele desperta a opinião daqueles que lêem e, mais ainda, naqueles que apuram os dados. As regras para um bom jornalismo são: neutralidade e imparcialidade. O Velho Novo Jornalismo (2003), apresentado pelo jornalista Gianni Carta, mostra que é possível manter um equilíbrio entre a honestidade e as preferências, deixando de lado o "estilinho" CNN de ser.

Considerando que o jornalismo literário é uma tentativa de busca da realidade, mas também uma forma de expressar as impressões daquele que escreve. Uma maneira de se soltar, deixar a criatividade fluir, botar pra fora as críticas, "chutar o balde" - com a devida classe. Com uma boa bagagem jornalística, Carta já foi correspondente em Londres, Brasil e repórter especial na Espanha. O autor destrincha comentários desde Marta Suplicy, com seu "querido" marqueteiro Duda Mendonça, até as alfinetadas do prefeito de Londres, Ken Livingstone, no primeiro-ministro Tony Blair. 

O livro é bastante dinâmico, as notícias e entrevistas são bastante aprofundadas. Mencionam personalidades que fizeram, e ainda fazem, parte da constelação literária como Jorge Amado (Tieta, Dona Flor e Seus Dois Maridos) e Maurice Girodias (editor de Lolita). E os assuntos são expostos de maneira profunda que tiram o leitor da "mesmice".

De acordo com Carta, o novo jornalismo tem que ser objetivo, mas ao mesmo tempo elegante e sem afetações. É preciso escrever com sinceridade e simplicidade. Voz, ritmo e uma história de fazer qualquer "desatencioso e alienado" ser um alucinado pela notícia também fazem parte da jogada. Basta usar a imaginação na linguagem e estrutura.

Velho Novo Jornalismo tem dessas histórias interessantes. Algumas causam um certo receio, como o caso de Studeninkin, um criminoso que recebeu mil dólares por mês para executar trabalhos sujos - Gianni Carta menciona ter sido ameaçado de morte pelo mafioso. O novo jornalismo era velho jornalismo quando Tom Wolfe, jornalista e escritor, autor de A Fogueira das Vaidades (1982), estava certo de que fazia parte de um novo movimento literário.

Carta não mede elogios ao consagrado jornalismo britânico, principalmente comparado ao jornalismo norte-americano - a terra de tio Sam perde feio para os súditos da rainha Elisabeth. Os plebeus levam vantagem em relação à boa posição geográfica, assim, têm uma visão ampla e lógica - por ter estilo literário. 

Os ingleses dispensam e debocham do "politicamente correto". Na maioria, são comprometidos com a verdade. Por isso, quem aprecia o novo jornalismo tem urticárias do jornalismo CNN.

Carta aposta numa renovação jornalística em que as informações, com boas pitadas do velho, podem criar um bom e novo jornalismo.