As vésperas do mundial de futebol, os meios de comunicação já trabalham assiduamente. Dia e noite correndo contra o tempo, na intenção de cobrir todos os detalhes da Copa da Alemanha, que começa sexta-feira.
Ninguém quer ficar de fora, por isso os veículos de comunicação de todos os lugares do globo investem milhões em equipamentos, tecnologia de ponta e estratégias ousadas para manter todos atualizados. Através de televisões, rádios, impressos, internet e até celulares – novidade deste ano – a mídia fornece o que o povo quer saber.
Agora com o fim das restrições da FIFA quanto à veiculação mínima de informações pela internet, e a publicação livre durante os jogos, as principais agências de notícias do mundo ( Agence France-Presse, Associated Press, Reuters, Getty Images, DPA e EPA ) podem esbanjar no quesito “limites para o número de imagens” e divulgarem suas notícias a vontade.
Do pondo de vista do torcedor, as mídias estão desenvolvendo seu trabalho. Afinal de contas, quem é que não está interessado em acompanhar o time pentacampeão do mundo? Mas se analisarmos as implicações que elas podem acarretar. Chegamos a algumas conclusões.
O campeonato mundial de futebol, realizado a cada quatro anos começou em 1930. Como não havia torneio eliminatório para a classificação, os países foram convidados para a disputa. Nos anos seguintes 1934 e 1938 a Itália levou o título bicampeão. Mas, devido a Segunda Guerra Mundial, os jogos não ocorreram em 1942 e 1946. Retornaram em 1950, no Brasil, e prosseguem até hoje, representando assim um dos maiores eventos esportivos do mundo. Só perde para as Olimpíadas.
Neste período de concentração dos jogadores, o mundo inteiro entra em estado de alienação. E a partir daí que o perigo começa. Se voltarmos a algumas semanas atrás lembraremos do “horror” que São Paulo e outros estados passaram. O Primeiro Comando da Capital (PCC) e agregados do governo entram em cena e mostram quem realmente tem o poder nas mãos. Passado o momento de terror, e sem soluções para a onda de violência, nada mais se fala, tudo acalmou.
Enquanto isso, mais de 300 emissoras internacionais transmitirão os jogos. Já para àqueles que não poderão se desligar das atividades do trabalho, as empresas telefônicas Vivo, Claro Oi e Tim, encontram outra alternativa. Desevolveram um sistema para a visualização de flashs ao vivo dos jogos pela celular. E sites como Terra e Globo.com já providenciaram o acesso desses vídeos pela internet.
Com toda infra-estrutura e tecnologia implantada, muitos brasileiros ficam à mercê do impressionismo e esquecem que a vida continua. Apostam tudo que tem nas pedaladas de Robinho, nas goleadas dos Ronaldinhos, e só. Não torcem pelo fim de um país sem corrupção e desordem, preferem erguer a taça do hexa, e esquecem de lutar por um país mais honesto, sem mensalão e PCC.
Para se ter uma idéia, a audiência total da Copa do Mundo de 2002 foi estimada em 28,8 bilhões de telespectadores, sendo que 1,1 bilhão assistiram a final. Somente na final, entre Brasil e Alemanha (2x0), 1,1 bilhão de pessoas estavam na frente da telinha. E para este ano, estima-se que o número de telespectadores aumente. Um problema, pois o às eleições começam em outubro.
É tempo de mudança no Brasil. Não se pode esquecer que enquanto a Seleção Brasileira luta pela taça mundial, devemos lutar por uma nação justa e honesta. Vamos torcer pelos nossos jogadores canarinhos, mas não perder o foco: votar conciente.
*Texto originalmente publicado na coluna Canal da Imprensa em O Regional (06/06/2006). |