Grande em conteúdo e em repercussão, o caso Watergate levou o mandatário da maior potência capitalista do mundo a renúncia e a ruína. O presidente Richard Nixon tinha se tornado alvo de espionagem e denúncias altamente secretas vindas do Edifício Watergate, sede do partido democrata, em Washington.
O caso que abalou a história americana foi fruto do trabalho de dois repórteres do jornal Washington Post, os jornalistas Bob Woodward e Carl Bernstein. A espionagem era comandada pelo ex-agente da CIA (Agência Central de Informações), G. Gordon Liddy, e pelo segurança do comitê de reeleição do presidente, James McCord.
O objetivo do plano era descobrir qual a fonte do vazamento de informações, e daí, juntos, eram chamados de “encanadores”. Entre os invasores estavam agentes que participaram de operações para deposição do regime comunista de Fidel Castro.
Um hotel ao lado do edifício Watergate era o posto de instalação dos “mandantes”. Em junho de 1972 o vigia do prédio denuncia os invasores, que são pegos fotografando documentos e checando aparelhos de escuta anteriormente instalados.
O fato não ganhou muita relevância na mídia por falta de provas, porém o jornal Washington Post se interessou em aprofundar nas investigações às pistas deixadas pelos “encanadores”. Ao seguir essas pistas, Bob encontrou uma caderneta onde encontrou o nome do assessor da Casa Branca, e a escrita “W. House”. Entra em cena uma fonte segura da Casa Branca, vulgo “Garganta Profunda”.
Espionagem interna
O governo americano queria acabar com a Guerra do Vietnã e com todo tipo de divergência no país. E para alcançar esse objetivo, Richard Nixon propôs aumentar a espionagem interna juntamente a CIA e FBI (Departamento de Investigação Federal). No plano do presidente, telefones poderiam ser grampeados, casas invadidas e correspondências violadas.
Nixon não recebeu apoio do diretor do FBI. J. Edigard Hoover temia que o caso caísse no conhecimento público e que a agência tivesse a credibilidade destruída. Hoover, mesmo contrário às exigências do presidente se alia a Helms, diretor da CIA, que orienta o presidente sobre as dificuldades de executar o plano caso descoberto.
Hoover morre em maio de 1972, e seis semanas após sua morte o plano é executado. E neste período uma série de demissões. Mesmo com a prisão dos invasores, Nixon é reeleito. E o Washington Post prossegue com as investigações. O que causa a abertura do processo de impeachment de Nixon. A ação penal termina com a condenação de sete dos funcionários mais importantes do governo americano.
Nixon acaba apontado como co-conspirador. Tenta encobrir o plano, porém em vão. Ele assume dificultar as investigações da CIA e renuncia. Seu sucessor Gerald Ford concede o perdão presidencial a Nixon.
O caso levou o jornal Washington Post a ser projetado como um periódico compromissado com a verdade, o que o tirava da sombra do New York Times. Os jornalistas receberam o prêmio Pulitzer que é atribuído por contribuições relevantes no campo do jornalismo, música e literatura. O faro jornalístico de Bob Woodward e Carl Bernstein mudou a história americana e mostrou onde se pode chegar na luta pelo poder. |