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A culpa é nossa

Joelmir Melo

Com todo respeito ao nosso espaço para especulações intitulado “o que aconteceria se”, mas como de fato seria se o escândalo do mensalão acontecesse em plena Copa do Mundo? O que a mídia e os veículos de comunicação transmitiriam com maior ênfase? Certamente seria uma escolha dificílima para os editores e “cabeças”, que decidem o que entra ou não todo o dia no mundo do jornalismo. A disputa seria interessante. Espaço em papel e tempo em TV e rádio, com certeza, faltariam para transmitir tanta informação.

Arriscaria dizer que muitos apenas ouviram falar do mensalão, mas certamente sem condições e conhecimento suficiente para explicar as etapas do escândalo. Tampouco saberiam o que aconteceu se o fato ocorresse em época de Copa do Mundo. Aliás, para seguir tal discussão é preciso fazer uma separação entre mídia e povo.

A mídia não é o povo e o povo não é a mídia. Se os veículos de comunicação passam a dar ênfase maior aos jogos e acontecimentos que estão ocorrendo na Alemanha, só isso não faz do brasileiro um alienado. O cidadão por si só é apático. Independente de campeonato e seleção brasileira. Não é a Copa do Mundo que o faz parar, dessa maneira. O povo não gosta de política, não sabe votar e não sabe reivindicar aquilo que quer, muito menos cobrar daqueles que devem ser cobrados. Dia após dia assistimos casos de deputados envolvidos no mensalão que poderiam ser cassados, no entanto o resultado é outro. O que vemos é uma absolvição atrás da outra. E nada de mobilização.

No fim a discussão é sempre a mesma. E a resposta é também se repete. Infelizmente a mídia é industrializada. Como uma empresa qualquer que necessita de lucro para sobreviver, tem que se adaptar aos moldes do capitalismo. Vender. E hoje, o que vende é uma coisa: COPA.

Portanto, não dá para culpar o Campeonato Mundial. Se iremos culpar alguém, culpemos a nós mesmos, brasileiros. Dito isso, analisemos o contexto atual (que vai se repetir daqui a quatro anos).

O Brasil, que mal sabe votar, ainda vota em fim de “êxtase futebolístico”, ou seja, logo após a Copa do Mundo. Você já tentou assistir a um filme muito violento e depois ler um livro? Já saiu de férias e voltou completamente sem ritmo? Não é a toa que o famoso gato dos quadrinhos, Garfield, odeia as segundas-feiras.

É mais ou menos isso que acontece com o Brasil a cada Copa do Mundo, ou melhor, a cada eleição. Durante um mês o país pára para ver os jogadores da seleção buscando estrelas que se eternizam. Nessa época é difícil entrar em uma rodinha qualquer, seja a classe que for, e encontrar alguém dizendo: “você viu? o Alckmin subiu nas pesquisas”. Enfim, o que se fala é futebol, futebol e futebol.

O povo entra no mês seguinte, triste ou comemorando, e totalmente desatualizado em relação ao contexto seguinte. Dois meses depois vão às urnas e acontece o que acontece.

Culpa da Copa? Não. Culpa do gosto? Não. Culpa nossa.