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Saudosismo jornalístico

Giancarlo Sorvillo

Você já viu aquela roda de marmanjos no bar conversando sobre futebol? Entre um copo de cerveja e outro cada um fala sobre seu time, criticando, dando opinião, discutindo as novas contratações e prevendo as futuras glórias. Então vem a Copa do Mundo, e a nova rodinha de conversa sobre a seleção brasileira. Cada um diz quais jogadores deveriam jogar, a escalação e os xingamentos ao técnico são comuns.

Uma coisa interessante dessas discussões de bar é a nostalgia. Cada um relembrando a seleção de 70, de Pelé, da defesa que era mais segura do que agora, do show de habilidade que o Brasil dava em seus adversários. Qualquer semelhança entre os jornais, não é coincidência, aliás, a cobertura da Copa pela mídia impressa mais tem sido uma roda de barzinho do que uma análise criteriosa, e a Folha de S. Paulo não é exceção. A abordagem não é diferente dos outros jornais, assemelha-se mais a uma discussão, com a diferença que a Folha é um tanto mais arrojada que os outros.

Por exemplo, ela acrescentou um caderno específico para a Copa do Mundo em vez de colocar tudo na editoria de Esportes como nos demais jornais. Um aspecto interessante é o inter-relacionamento entre o impresso e o online. Em várias matérias, o jornal faz um link com a internet para que a discussão no boteco continue em alto estilo, porém, é algo novo que até então não se via na maioria dos jornais que possuem o seu noticiário online, tal como o Estado de S. Paulo que tem a Agencia Estado, porém, a impressão que dá é que as duas mídias são separadas e diferentes. A Folha quebra um pouco essa diferença explorando mais o próprio site com matérias que complementam as reportagens do jornal impresso.

Entretanto, em relação à seleção brasileira, a Folha não economiza críticas ao Brasil, especialmente a Ronaldo e sua “boa forma”, além de dizerem que ele joga mais para manter sua imagem na mídia. As comparações feitas pelo veículo com as seleções do passado, mostram certo saudosismo e refletem a posição da maioria dos jornais, desapontamento diante do “quadrado mágico”. O copo roda na mesa do bar e os jornais continuam em toda sua nostalgia, críticas e algumas inovações jornalísticas pela Folha que mostrou que basta uma Copa do Mundo para algumas boas mudanças.