A maior emissora de televisão brasileira, em todos os sentidos – filiais, quantidade de funcionários, audiência – é, sem dúvida, a Rede Globo. Essa organização teve, na década de 70, uma idéia brilhante. Ela entendeu que o brasileiro era apaixonado por futebol. E como um dos seus objetivos é fazer com que o número de telespectadores aumente cada vez mais, destacando-a sempre como líder no ibope, a rede criou um programa que proporcionou um vislumbre desta paixão todos os dias. A Globo atendeu a “necessidade” do povo, ao transmitir, de segunda-feira a sábado, o telejornal esportivo Globo Esporte. E atingiu um público enorme entre os brasileiros.
A programação conseguiu envolver praticamente todas as classes, desde o simples comerciante ao executivo de grandes empresas. Além disso, ela é transmitida exatamente num dos horários em que a população está mais disponível: após o almoço. É nessa hora que as pessoas querem descansar um pouco da manhã de trabalho, distrair a mente para então voltar para a longa e cansativa tarde. São momentos como este que elas têm um pouco de lazer e o programa visa trazer justamente isto ao seu público.
Quando a audiência foi fidelizada, o Globo Esporte percebeu que esta também poderia ser uma forma de manipular os brasileiros. E isto vem acontecendo em todos os momentos históricos dos esportes, especialmente no futebol, área em que é dada uma ênfase especial.
Globo na Copa
O maior evento do futebol mundial é a Copa. E a Globo não poderia estar de fora da Copa 2006, como ela mesma anuncia. A mensagem passada ao povo brasileiro é a de que a Globo está na Copa. O incrível é que a rede faz questão de lembrar isso dezenas de vezes num só dia. Para os telespectadores que não tiveram acesso aos estudos ou não possuem uma capacidade de análise crítica, a impressão registrada é a de a organização é realmente a líder. E se é líder, é porque é a melhor. O simples brasileiro associa, então, a emissora à verdade absoluta. E não procura por outros meios que confirmem as informações transmitidas. Com este cenário, a rede se aproveita do seu público e apresenta a informação da forma como bem entende.
Ao descrever a abertura do mundial, o Globo Esporte relata a entrada da Alemanha e, em seguida, a do Brasil da seguinte forma: “A tricampeã Alemanha deixou o público eufórico. E se a empolgação já tomava conta das arquibancadas, com a chegada do Brasil deu-se o ápice”.
Os brasileiros em época de Copa se tornam patriotas, mesmo que não o sejam nos quatro anos anteriores e nos próximos. Neste período de exaltação da pátria, muitos torcem pela vitória da Seleção. Quando isto não acontece, há uma enorme frustração. É para agradar o telespectador que o Globo Esporte destaca os jogadores do time brasileiro, usa adjetivos ao se referir à Seleção. Isto não passa de uma colaboração com o favoritismo do Brasil no mundial. O futebol brasileiro é considerado o melhor do mundo. No entanto, a emissora exagera na forma como posiciona o time.
A cobertura completa de todos os jogos desta Copa dá credibilidade ao Globo Esporte. A atenção do público é garantida. Mas a emissora não deve se aproveitar disto para informar o que deseja. Não deve fazer comentários e apresentar reportagens como se fosse a dona da verdade, e ninguém mais está correto. Este julgamento cabe ao telespectador fazer. Como um programa jornalístico, o Globo Esporte deve apenas passar as informações da forma mais imparcial possível. É somente quem assiste que irá decidir se aceita ou não a informação transmitida. |