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Escritos ilegíveis

Angélica Maffi

Como uma caneta de nanquim que deixa sua tinta borrar, está a segurança pública do “país tropical, abençoado por Deus e bonito por natureza...”. Atrocidades, vingança, ou um tipo de democracia, têm acabado com o sonho de famílias no estado de São Paulo. Borrou! Já borrou! A tinta estava fresca e o documento foi manchado.

Se você perguntar à sociedade o que governo tem feito para que se sintam mais seguros, a resposta serão lágrimas. Familiares de carcereiros e mesmo civis, foram assoladas pelo vandalismo da facção criminosa intitulada como Primeiro Comando da Capital.

O temível PCC descobriu sua força neste ano. Mais do que prédios públicos, bancos, e carros; famílias foram destruídas pela ânsia de poder. O que está em jogo? Quem vai ser o “dono da rua”?

Que educação pode ser exigida daqueles que não receberam verba suficiente na área da saúde? Que permite o descaso com seus idosos e crianças? Que sonha em estudar para apresentar o diploma não validado, nem aceito. Desemprego. O cantor e compositor Gabriel Pensador diz em seus ilustres versos, “o que o mundo pede não é o que o mundo dá”.

Deparando-se com a sólida realidade de pobreza, marginais viram na opressão e chantagem a fuga para seu cotidiano humilhante. E se não bastasse os bandidos presos, uma cúpula fora montada fora dos muros, com quem se dá os atos, propriamente ditos.

E a Mídia?

Os meios de comunicação tem se detido a informar com precisão o que os “discípulos” do crime são capazes. Os jornais dedicaram-se por dias à cobertura completa de ataques no estado paulista.

A forma de colaboração da mídia vem por intermédio de reportagens rebuscadas e completas sobre o perfil dos principais comandantes da facção. Em momentos, a imprensa tem sido a vítima.

Num episódio recente, a Rede Globo foi ousadamente desafiada a divulgar os interesses dos meliantes. De forma organizada, o PCC arquitetou o plano de demonstrar seus objetivos, em nossos meios. O que fora criado para denunciar, agora usado para propagar o crime. Sem opção de escolha!

Embora o jornalismo policial tenha evoluído nos últimos 30 anos, dando uma atenção maior para os fenômenos sociais, não vemos um jornalismo aprofundado no assunto. A superficialidade deu espaço ao fato meramente descrito, sem suas raízes ou causas. Essa deficiência promove o alastramento da corrupção política, já que muitos crimes cometidos são diretamente influenciados pelos interesses eleitorais.

Basta uma imprensa mais atenta? Talvez não. Basta mais investimento na segurança pública? Talvez não. Mas basta uma ação do governo para combater seus próprios maus interesses. Olhar mais para “plebe”. Para as vítimas do uso indevido do dinheiro público. Investir em presídios que ponham os marginais sem contato com seus comandados.

As investigações têm sido feitas. Um dossiê levantou as contas que movimentavam o PCC. O documento foi entregue pela Polícia Civil de São Paulo ao Ministério da Justiça. E jornais como o Estado de S. Paulo apontam um relevante trabalho feito pela Secretaria da Segurança Pública em mapear a venda de drogas, dominada pelo PCC.

Mas, e o Governo?

Ano de reeleição. Isso te lembra alguma coisa?

Levando em conta que as depredações feitas em prédios públicos influenciaram nas pesquisas eleitorais, cabe uma notória atenção ao uso que a política tem feito desse fato. Uma equação, quase que matemática, sublima resultados inexplicáveis. PCC ataca, Alckmin cai, Lula sobe. Mas as especulações não são capazes de evidenciar qualquer “pecado”.

Vergonhoso. Essa é a expressão usada pelos outros países em relação ao nosso? Que marca conseguimos deixar da “Pátria Amada Brasil”?

A sociedade fica mais um ano saudosa de uma vida calma, onde a caneta não borrará. Onde os compositores irão cantar das terras férteis e não de um submundo assolado pela mentira.

Por enquanto, somos organizados? Sim. Só se for pelo do roubo de dinheiro alheio ou das sociedades criminosas. A solução está nas mãos do Primeiro, Segundo, Terceiro e Quarto Poder.