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Basta. Eu quero paz!

Franciele Mota

Falar de crime organizado em um país totalmente desorganizado é até cômico. No Brasil o crime organizou-se em duas formas distintas. Existem os comandos e a conhecida máfia do colarinho branco. Este é um título dado a várias quadrilhas formadas por autoridades legais e não estão ligadas entre si. Trabalham principalmente com lavagem de dinheiro. Dentro do grupo dos comandos, o PCC, Primeiro Comando da Capital, atua na capital paulista mas também tem controle das rotas de tráfico no interior do Estado.

Mesmo com um ponto de escala para muitas rotas de tráfico internacional, o Brasil tem uma produção de entorpecentes pequena. As quadrilhas se envolvem na disputa de território para o tráfico de drogas. Com isso, o Estado ainda não se deu conta de que as organizações criminosas está se profissionalismo e buscando todos os recursos e meios para conseguirem mais espaço na mídia por meio da violência, do caos que amedronta a cidade e do medo que depositam na população.

Para resolver esse problema não existe solução rápida, até porque é uma situação que tem sido cultivada durante anos. Não é questão de acordo, conversa e troca de regalias. É uma questão de segurança pública e o que está em jogo é vida do cidadão comum.

Ainda é incompreensível que o governador do estado de São Paulo tenha recusado a ajuda da Força Nacional nos ataques do PCC. A união das polícias e o profissionalismo delas contribuiriam para solucionar o caos que vem ocorrendo. Está na boca do povo, os presídios têm que oferecer uma atividade que ocupe o tempo dos detentos. Algo como oficinas profissionalizantes que incentivassem o sentenciado a se reestabelecer posteriormente na sociedade.

Trabalhar na reengenharia dos presídios bloqueando a entrada de armas, drogas e aparelhos celulares para o maior controle dos detentos, e a mudança para unidades menores para obter maior controle seriam outras medidas entre tantas que o governo já deveria ter tomado.

Mexer no dinheiro é pisar no calo das facções, então seria a quebra do sigilo bancário das organizações uma opção? Avaliar a conta dos componentes e estancar o dinheiro que abastece o crime combateria à lavagem de dinheiro e secaria a fonte que alimenta as facções.

Diante dos erros que o Estado cometeu, o pior foi ter subestimado a dimensão que as organizações ganharam nos presídios. Outro fato a ser considerado foi a mudança no dia de rebeliões, um fato simples que pode ser passado despercebido. O jogo inverteu, suas famílias, que eram protegidas de qualquer perigo, passaram a ser reféns em grandes rebeliões.

É uma troca de posição. As rebeliões colocam a sociedade numa posição de insegurança e submissão às facções para que os próprios criminosos não sofram as consequências.

Como qualquer outro problema público, os efeitos da criminalidade são refletidos no município. É na cidade que a violência e todo o seu efeito são vistos com mais intensidade. Aqui no Brasil o que vemos infelizmente é uma barreira dividindo o problema e a autoridade institucional que impede uma solução, ressaltando que, perante a comunidade, o município tem função primordial no combate à criminalidade e à violência junto aos governos estadual e federal. Só falta consciência disso.