Terrorismo. Quantas vezes abrimos os periódicos brasileiros e internacionais e vemos representantes do terrorismo no Oriente Médio, encapuzados, se valendo da mídia, para reconhecer ataques, mostrar seqüestrados e exigir algo em troca pela vida.
Hoje, não precisa chegar até a editoria “Internacional” para ver fotos e cenas como essas. Basta olhar para o próprio Brasil e perceber que o maior veículo de comunicação do País já foi vítima de terrorismo, assim como toda a população que apenas assiste e torce para continuar com vida.
A TV Globo atendeu requerimento do Primeiro Comando da Capital, para a transmissão de um DVD em que um integrante do PCC faz críticas ao sistema penitenciário, num vídeo de três minutos e 36 segundos, em troca da libertação do auxiliar técnico Alexandre Calado e do repórter Guilherme Portanova, que haviam sido seqüestrados. As imagens foram ao ar as 0h28min. E a população assistiu. Só.
Em blogs e espaços para opinião alguns conseguem afirmar que a emissora não agiu corretamente ao publicar o vídeo. É evidente que não se tratou de crime porque o que se protegia era o bem maior, amparado pela Constituição: vida. Focar o problema na emissora e não nos bandidos é demais. Não há fundamentação.
Opiniões mal fundamentadas à parte, o assunto virou notícia em praticamente toda a imprensa brasileira inclusive, é claro, na própria Globo. E o povo assistiu. E como já está bem acostumado, torceu para não ser mais um número entre tantos mortos.
A sociedade pôde mais uma vez perceber o poder que tem uma facção como esta, bem organizada. Segundo reportagem publicada no Correio Popular, a polícia agora teme incentivos a seqüestros. Na mesma matéria, os policiais explicam que o maior pesadelo é a possibilidade de se capturar um refém para forçar uma troca de prisioneiros com o Estado. Assim como fazem outros terroristas.
O Diário Popular afirmou que o presidente da OAB rotulou o feito como crime hediondo. E nós... Assistimos... Com os dedos cruzados.
Internacional
O Brasil, “mal-falado” internamente e externamente por tantas crises de corrupção e desonestidade, agora, mais uma vez, se coloca em evidência. Algo positivo não poderia ser. E a pauta é segurança.
O mundo sabe, e muito bem o que acontece por aqui. Washington Post, The New York Times, CNN, Fox, BBC, etc. Todos cobrem os escândalos e ataques que ocorre no mais novo país do terrorismo. O americano William S. Lind, diretor do Centro de Conservadorismo Cultural do Free Congress Foundation, em seu artigo The Boys From Brazil fala sobre a facção e critica a segurança do País. O autor afirma que o sucesso do PCC se dá pela facilidade ao acesso às informações e pela organização e hierarquia, que funciona mais rápido que o próprio Estado.
Como se pode concluir, terrorismo é um dos temas mais debatidos na atualidade, e o mundo não vê de modo diferente o que acontece em São Paulo.
Nós...? Continuamos torcendo...
Eduardo Jany, encarregado pelo Departamento de Defesa de narcotráfico e terrorismo no Brasil, analisa informações, mantém contato com autoridades brasileiras e envia relatórios sigilosos a Washington. “O crime é mais organizado que se pensa. Existe terrorismo no Brasil. Ele é o PCC”, disse em entrevista a revista Época. Segundo ele, quando se incendeia um ônibus se mata 11 pessoas, incluindo uma criança de 18 meses, o que se tem é terrorismo e nos Estados Unidos, os militares já estariam nas ruas.
A imprensa brasileira e mundial fica atônita e impressionada com a expansão do poder dos criminosos a ponto de publicar um vídeo na maior emissora de TV do Brasil.
Falta disciplina.
A sociedade assiste a situação descontrolada. E julga que lutar já ficou difícil. Torcer é o que restou.
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