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Violência televisiva

Juan Pereira Torres

Já faz mais de 50 anos que a televisão está nos lares das pessoas produzindo não apenas novas formas de sociabilidade como também uma série de efeitos sobre a subjetividade contemporânea. O artigo “Como a violência na TV alimenta a violência real - da polícia” foi escrito por Eugenio Bucci e o artigo “Televisão e violência do imaginário” foi escrito por Maria Rita Kehl publicados no livro Videologias. Este livro está dividido em cinco partes que tratam do desafio da crítica televisiva, da relação entre TV e violência, das tênues fronteiras entre telejornalismo e teledramaturgia, do fenômeno dos reality shows e o voyerismo, e do impacto da TV na política e no espaço público brasileiro.

O primeiro texto se resume na apresentação de exemplos de imagens de violência na TV, destacando alguns questionamentos sobre o uso de imagens de violência para reafirmar a atuação da polícia. Já no segundo evidencia-se a explicação sobre o que acontece com a violência no imaginário. O funcionamento do imaginário dispensa o pensamento. Se acontecesse o contrário seria o ideal.

Maria Rita Kehl afirma que já “existe um consenso a respeito do fato de que as sociedades modernas industriais são sociedades muito violentas e que o consenso não se limita apenas à violência de exclusão social, mas própria da desigualdade entre as classes, cometida por uma parcela dos excluídos que tenta se incluir a força. Porém temos uma violência que faz parte do próprio laço social”. A autora sustenta a tese de que nas sociedades regidas pela cultura de massa predominam a tirania da imagem.

O que realmente ocorre é um relaxamento nos limites do jornalismo e do entretenimento mundial no que diz respeito à violência. Com o sensacionalismo das imagens pela TV, as imagens reais se tornam frias e comuns. Na verdade, o exibicionismo de cenas de violência serve para reafirmar a imagem da polícia que há muito tempo está desgastada, afirma Bucci.

É importante destacar ainda que “com a exposição repetida às representações da violência, tendemos a nos habituar e a tolerar cenas que nos horrorizariam há dez anos”, declara Maria Rita Kehl. O funcionamento do imaginário dispensa o pensamento. O ideal seria se o ser humano pensasse. Então comece a pensar agora!