Insatisfação, críticas, cobranças ao governo e uma pitada de sensacionalismo ao relatar mortes e ataques. Foram essas as palavras encontradas pela revista Época para informar os seus leitores sobre o caso envolvendo os ataques massivos do Primeiro Comando da Capital (PCC).
Em suas reportagens, principalmente as do dia 22 de maio de 2006, a revista mostrou sua indignação para com governo de São Paulo por não tomar as devidas atitudes contra o crime organizado. Nas entrelinhas, passou a informação de que os representantes do povo, tanto estaduais quanto federais, não possuem capacidade para lidar com tal situação. Amedrontados, governador e presidente da república omitiram certas verdades por motivos políticos, sendo um deles a rivalidade entre os partidos.
Ao traçar o perfil do líder do PCC, Marcos Willians Herbas Camacho, mais conhecido como Marcola, como uma pessoa organizada, inteligente, educada, cautelosa e que, acima de tudo, presa pela fidelidade e companheirismo, o veículo iniciou um contraste com a administração do presidente Luis Inácio Lula da Silva. Um administrador que, geralmente “não está a par” do que acontece em seu governo, que está pagando a dívida externa do país, mas ignora a dívida interna que sobe a cada dia. Um governo mal organizado cercado de infidelidade e corrupção.
Ao insinuar que o PCC mostra-se mais organizado do que o governo brasileiro, o veículo utilizou o sensacionalismo, simplificando todas as atividades, complicações e burocracias do governo ao compará-lo com uma simples facção onde quem não obedece às ordens, morre. A dissolução do crime organizado parece distanciar-se ainda mais. Os governantes encaram essa situação de uma forma atrasada, achando que policiais e carcereiros conseguirão contê-la.
Ao relatar as péssimas condições financeiras e sociais dos policiais, a revista cobrou do governo medidas contra a situação. Uma dessas medidas seria o aumento do salário do policial. O salário atual não é suficiente para pagar as contas no final do mês, obrigando-os a trabalhar em outros empregos, sem contar que muitos deles precisam esconder sua própria identidade para não serem perseguidos e mortos pelos bandidos. Outro projeto, segundo a Época, que o governo brasileiro poderia realizar é a implantação de programas de inteligência dentro da própria polícia para combater o crime organizado, como é feito em outros países. Com isso, teriam policiais capacitados para tal trabalho.
Além disso, necessita de leis mais rígidas, que não tratem o criminoso como vítima de uma sociedade desigual. Ao descrever as soluções para tal problema, a revista buscou se espelhar no governo dos Estados Unidos, esquecendo-se que as condições do Brasil tanto financeiramente quanto politicamente são diferentes do que as do país citado, mas nada que impeça uma atitude inteligente e organizada dos governantes.
A revista Época destinou quatro páginas de sua edição do dia 22 de maio de 2006 para descrever, de modo narrativo e não informativo, o sofrimento das famílias que perderam seus entes queridos. Um exemplo foi o caso do bombeiro João Alberto da Costa, assassinado em pleno trabalho por membros da facção. Desta forma, Época cedeu ao sensacionalismo.
Mas ao fazer isso a revista conseguiu, de certa forma, transmitir que algo precisa ser feito com urgência antes que mais pessoas inocentes morram. Ela estimula seus leitores a não se conformarem com a situação, cobrando do governo a resolução do caso. |