home |
 

De brinde, o que é seu

Jordane Perdoncini

Envolvem, prendem a atenção, informam, formam opinião. Não há duvidas de que a influência dos meios de comunicação de massa rege comportamentos. Deve-se a isso, o peso da responsabilidade dos profissionais de mídia. Sendo assim, tanto maior é o encargo dos veículos midiáticos.

A teoria tornou-se até um clichê: “jornalista tem compromisso com a verdade”, mas a verdade é que para alguns na prática, o exercício do que diz o chavão está em desuso. Tornou-se comum, o sensacionalismo, a manipulação dos fatos, o jogo de interresses. Só ainda não se tornou comum a imparcialidade, a moral, enfim.

Enquanto a ética anda fora dos trilhos, são poucos os veículos de comunicação que realmente fazem valer o compromisso de informar a sociedade com veracidade. A imparcialidade da revista IstoÉ , ao falar sobre o caos que se instalou em São Paulo, em decorrência dos ataques do PCC, é notável.

Na edição de 24 de maio, a revista publicou uma extensa reportagem sobre a onda de violência que vitimou a população paulistana. Além de dados sobre os atentados, os repórteres investigaram a venda de um documento secreto, cujo conteúdo era um depoimento do delegado Godofredo Bittencourt. O CD com o conteúdo do depoimento, dava o novo endereço do local para onde seriam transferidos os líderes do crime organizado. O documento foi vendido aos advogados de Marcola, pelo assessor parlamentar Arthur Vinícius Silva que afirmou ter recebido 200 reais. Segundo informações divulgadas pela IstoÈ, o valor obtido na venda foi mais de 10 mil reais.

Outro ponto abordado pelos jornalistas foi a negociação entre o governo de SP e o PCC. De acordo com a revista, o governo nega ter feito qualquer acordo com os bandidos, mas a matéria divulga uma reunião de aproximadamente três horas entre Marcola e representantes do governo. O líder da facção foi atendido em boa parte de suas reivindicações. Logo em seguida, cessaram as rebeliões.

O partidarismo inútil dos políticos também recebeu um bom espaço na reportagem. Nada nem ninguém foi poupado das críticas. O problema foi avaliado sob diversos ângulos. Todos foram colocados na balança, independente de posição ou situação social. Os fatos simplesmente foram descritos como realmente aconteceram. Não houve exagero algum, simplesmente porque não foi preciso. O real fala por si próprio e o povo paulista sentiu isso na carne.

Num País onde trabalhadores correm de um lado para o outro sem segurança alguma não há razão para extrapolar. Num país no qual a polícia se esconde e o bandido dita as regras, onde os políticos perdem de vista o bom senso e se perdem em disputas mesquinhas abandonando a população a própria sorte, o exagero é desnecessário.

A imparcialidade garantiu que o cidadão comum, ficasse a par de toda a situação e não só isso, que identificasse os problemas e mesmo os culpados. De brinde, os leitores tiveram uma amostra de jornalismo sério e comprometido com a prestação de serviço social.