São Paulo, sexta-feira 12 de maio. Rebeldia e “balbúrdia” nas ruas. Morte e confusão. Cresce o número de insegurança e medo. Resultado: pânico e indignação pública. É neste cenário hollywoodiano que o “estado mais rico da federação” pára e fica à mercê da facção criminosa Primeiro Comando da Capital, conhecido pela sigla PCC.
Começa a guerra. Muitos atentados vão se desenrolando e se multiplicando, tanto no interior paulista quanto na própria capital. Varia. Ora contra policiais e agentes de segurança, ora contra pessoas inocentes e supostos criminosos. Um dos motivos: protesto ao pedido de transferência, no dia 11 de maio, dos 765 presos ligados ao PCC para a Penitenciária de Presidente Venceslau.
Analisando as últimas edições da revista Carta Capital, desde a primeira explosão da fúria pececista, encontra-se um acoplado de palavras e sinônimos que se repetem ao longo das edições seguintes. Palavras como tragédia, insegurança, crise, falta de recursos (ou precariedade), atentados, execuções, assassinatos, mortes, ataques, rebelião, ódio e farsa. Seqüência que abre logo de cara a edição da terceira semana de maio, intitulada “Desastre Nacional”.
Sem dúvida, o “desastre nacional” foi evidente e grande. Devido a isso, o Estado se tornou prisioneiro de uma organização - que inclusive este ano comemora 13 anos de existência - enraivecida pelas arbitrariedades da administração penitenciária e seus superiores, mas que aos poucos vai criando forças: o PCC.
A revista Carta Capital explica que esta nova encarnação “bandidista social” é reflexo da pós-política. Herança dos anos passados. A crise vivida pelo Brasil e também pela maioria dos países periféricos ao adentrarem o século XXI tem muito a ver com o liberalismo do século XIX na Europa. A migração de pessoas do campo para as cidades. O desemprego seguido pela fome e marginalidade. Situações da realidade de hoje, que anos de progresso científico e tecnológico num mundo globalizado cheio de ilegalidades e criminalidades retratam a “condição de sobrevivência para muitos brasileiros”.
Aumentam as favelas e a violência explode. A sedução pelo crime é tanta que assistimos de graça cenas que julgamos acontecer somente nos cinemas, nas telinhas. As desigualdades e injustiças sociais se multiplicaram. Logo, vemos ônibus sendo queimados, mortes de pessoas inocentes, falta de competência e extremo orgulho por parte dos maiorais do governo de São Paulo que disseram: “está tudo sob controle”. Mas controle de quê? Do dinheiro que vai faltar no final do mês para as classes menos favorecidas? Do resultado nas eleições 2006? Do poder?
Carta Capital trouxe na edição 24 de maio uma matéria especial sobre as tragédias organizadas pelo PCC. E lá encontramos tiras de pensamento liberal e posições certas de que os ataques ocorridos pela facção criminal Primeiro Comando da Capital são problemas culturais mal resolvidos.
O governador Cláudio Lembo em entrevista para Mino Carta, assegura que o Brasil possui uma minoria “branca” muito perversa. Taxam as pessoas pobres de preguiçosas ou bandidas. Uma herança cultural dos nossos antepassados que ainda permanece enraizada na sociedade. Resultado da Inquisição e escravidão. E de acordo com ele, estes ataques surgem como um alerta vivo.
Desde as fotos escolhidas para a capa até a seleção para o melhor título de uma matéria, a revista utiliza de uma estratégia. É como diz um dos articulistas da revista, Luiz G. Belluzzo, “a mídia multiplica as tensões e esquenta o assunto (...) com isso os indivíduos podem saber de tudo, mas não devem compreender nada (alienação)”. O poder da mídia sob as massas sempre existirá. Pois ela é formadora de opinião, e isso todos nós já sabemos. Então, cabe ao leitor fazer sua própria análise sobre os fatos da realidade e usá-la como apoio ou referencia às idéias obter. |