A internet ainda é um território sem leis bem definidas. No código penal brasileiro, por exemplo, não existe a palavra “internet”. Qualquer um pode elaborar um site, comunidades em redes de relacionamentos e blogs para inúmeros objetivos. Espaço que hospedam deste o mais inocente e descompromissado entretenimento e a troca de informações e idéias, equivocadas ou não.
E isso obviamente dá muita dor de cabeça às autoridades de todo mundo, que têm grande dificuldade para controlar o que é publicado na rede. O surgimento de inúmeros sites de teor discriminatório contra minorias étnicas e religiosas só tem aumentado. Alegando estar amparados pela liberdade de expressão, sites que pregam teorias absurdas e que ameaçam a própria democracia - neonazistas, por exemplo - têm infestado a rede.
Mas nem tudo são trevas. Se por um lado é flagrante o mau uso que muitos usuários fazem da liberdade na internet, por outro ela representa também um importante meio e armazenamento e divulgação de idéias interessantes. Ponto para a liberdade de expressão e à democratização da informação e intercâmbio entre os povos. E isso beneficia muita gente - como alguns escritores relevantes, que encontram na rede um espaço e público que, por vários motivos não possuem no “mundo real”.
O aumento desta festa da informação pode ser verificado com mais clareza nos últimos anos pelos nos blogs – que podem também ser chamados de diários virtuais. Existem hoje centenas de provedores pagos e gratuitos de blogs no mundo inteiro que hospedam entre 20 a 30 milhões de milhões de blogs, número que a cada dia.
Paradoxo
O principal trunfo dos blogs em ralação aos sites comuns é que é muito fácil criar um. Não é necessário ser um expert em informática e ter intimidades com termos complicados sobre a rede. Basta acessar um dos inúmeros provedores e em poucos segundos o cidadão comum terá seu espaço para divulgar suas idéias para toda a internet.
Pesquisas mostram que o número de leitores de blogs é muito pequeno em relação a todos os usuários da rede. Nos EUA, por exemplo, apenas nove por cento dos internautas norte-americanos lêem blogs com freqüência, onze por cento raramente e a maioria, 66%, nunca.
Entretanto, este quadro caminha para a mudança. O número de leitores de blogs nos Estados Unidos, por exemplo, aumentou mais de 55% em um ano. E eles representam 34% dos internautas do planeta. Lá, o portal campeão de acessos foi o Blogger.com com quase 21 milhões de acesos - crescimento de oito milhões no mesmo período. Outro valor atrativo dos blogs é a linguagem simples – eles são mais legíveis do que muitos sites de grandes jornais.
Há que pensar, portanto, no potencial que os blogs possuem para ajudar na disseminação de lixo cultural.
Embora os blogs acumulem diariamente milhares de novos adeptos, grande parte praticamente não é acessada. É um paradoxo, onde existe um “monopólio”: Embora o número de “blogueiros” cresça massiçamente a cada dia, pouquíssimos blogs concentram quase toda a audiência do segmento. Dos milhões de blogs espalhados pela rede, uns sessenta apenas são considerados importantes.
Existem sim os blogs com conteúdo inútil e até ofensivo, e alguns conseguem ter uma audiência significativa. Contudo, a maioria dos que têm sucesso garantido são os que primam pela criatividade - vide os bolgs brasileiros de gente comum como o Pensar Enlouquece, humorísticos, como o Kibe Loco - e pela competência - os jornalísticos campeões de audiência como o Blog do Juca o Blog do Noblat) - e conectados com os últimos acontecimentos.
Em termos de relevância política e social, que ninguém subestime o poder dos blogs. Eles já foram e são responsáveis desde a divulgação de informações que jamais seriam vinculadas pela imprensa. E que complicaram a vida de muita gente – especialmente políticos. Está aberto um espaço que se devidamente aproveitado para boas iniciativas, é uma força extra não apenas para o bom entretenimento, mas também para a briga diária pela garantia dos interesses e direitos e das massas. |