O blogueiro Ricardo Noblat não nasceu blogueiro. Nem jornalista. Nasceu pensando em ser padre, em Recife, Pernambuco. Como não entendia nada de exatas e biológicas, só lhe restava português, literatura e religião. Foi assim que começou a surgir em Noblat a atração pelo jornalismo, curso que concluiu na Universidade Católica de Pernambuco, já trabalhando no Jornal do Comercio. Desde as primeiras reportagens, especialmente um furo no primeiro ano de faculdade, descobriu o quanto o jornalismo era excitante.
Noblat tem uma trajetória que inclui os maiores veículos de comunicação do País, como O Globo, Manchete, Veja e IstoÉ. Passou também pelo Jornal do Brasil, onde ficou conhecido pelos seus comentários políticos, além das críticas constantes a Fernando Collor de Mello em pleno processo eleitoral. Quando Collor foi eleito, Noblat foi demitido. Trabalhou ainda na Angola, participando do processo de eleição do início da década de 90.
Uma das últimas proezas do jornalista, ainda no jornal impresso, foi assumir a redação do Correio Braziliense, até então com uma linha editorial que amaciava o ego dos governantes, e torná-lo um apimentado fiscalizador dos governos. Algo que lhe rendeu uma série de ameaças e o famoso episódio de censura prévia, quando o então candidato à reeleição do Distrito Federal, Joaquim Roriz, mandou um oficial de justiça para retirar notícias do diário. Após a saída de Noblat do Correio, o jornal voltou a tratar bem o governador.
Depois foi para A Tarde, na Bahia, também como diretor de redação, pouco antes de voltar a Brasília para comentar política em uma coluna para O Dia, no Rio de Janeiro. Mas a principal razão para a volta a Brasília era o desejo de acompanhar um “governo de esquerda governar pela direita”.
O jornalista escreveu ainda livros como O céu dos favoritos, O que é ser jornalista e A arte de fazer um jornal diário, além de ser co-autor de O complô que elegeu Tancredo.
Escrevendo sua coluna em O Dia, Noblat sentiu a necessidade de publicar notícias mais atualizadas para o seu leitor e foi nessa época que surgiu a idéia de criar um blog. Agora o blog do Noblat é considerado um modelo de blog de sucesso, além de um referencial de notícias analisadas sobre política. Seu blog aprimorou sua cobertura jornalística e permitiu que o jornalista pudesse escrever com independência. Realmente, Noblat não nasceu blogueiro. Mas parece que estava destinado a isso, parece. |