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O preço da informação

Tales Tomaz

Diário digital de adolescentes. Foi assim que surgiram os blogs, espaços eletrônicos onde os jovens podiam contar suas experiências diárias, expor para os amigos o seu dia-a-dia e até espalhar fofocas. Quando deram a idéia a Ricardo Noblat, ele não pôde acreditar. Escrever um diário de adolescente? Que absurdo é esse!

Hoje o Blog do Noblat ( www.blogdonoblat.com.br ) tem quase 35 mil acessos por dia; no último mês, agosto de 2006, chegou a um milhão de acessos. Não é apenas um blog diário. São praticamente 24 horas por dia de notícias. Mas quantos sites não têm cobertura 24 horas por dia? A diferença é que no seu blog, a única pessoa que escreve é o próprio Noblat.

Tudo começou quando o consagrado jornalista escrevia semanalmente para O Dia e sentiu a necessidade de suprir o seu leitor de notícias mais frescas, que não poderiam esperar uma semana para serem comentadas. Quando a coluna em O Dia foi fechada, Noblat achou que não havia necessidade de continuar com o blog. Então descobriu que muita gente já havia deixado de ler sua coluna para ficar somente com o blog.

É fato que o leitor comum de hoje está recebendo uma avalanche de informações e, em certa medida, está narcotizado, cansado. Mais que isso, o leitor não consegue mais distinguir a importância de cada notícia e tem dificuldades em encaixar as peças do quebra-cabeça e compor um cenário mais amplo. Nesse contexto, Noblat dá notícias que julga mais importantes combinadas com análises e curtos trechos opinativos, o diferencial do blog.

O polêmico articulista de Veja Diogo Mainardi já o acusou de “lulista ligado a Dirceu, mas pulou fora no momento oportuno”. Chegou a existir até mesmo um blog – que aparentemente deixou de ser atualizado – para avaliar o Blog do Noblat . De fato Noblat tem opiniões fortes, mas diluídas em seus vários comentários políticos. Ataca insistentemente o governo de Lula por causa dos escândalos de corrupção, mas não deixa de bater em seus adversários também, como Alckmin, expondo a campanha do tucano como fraca e incapaz de alavancar um debate com Lula. Não gosta também da política econômica atual, embora não defenda uma ruptura drástica.

Pessoalmente, Noblat gosta de destacar o papel de um jornalista, que é cobrar – e incentivar a população a fazer o mesmo. Seu blog muitas vezes parece um amontoado de tiros para todos os lados, começando por quem está lá em cima, no poder, o que para o leitor desavisado reflete uma medida de desencanto com o atual cenário político.

Mas o blogueiro cumpre um excelente papel na cobrança de posturas éticas na política, principalmente por não estar subordinado a ninguém. O blog permite essas coisas. O combate à corrupção existe até na forma de propaganda, um banner que ele colocou no topo do blog (“Diga não a político ladrão”), onde Noblat defende o voto consciente para tirar os políticos corruptos do governo. Nesses tempos de mensalão e sanguessugas, seu blog se destaca pela cobertura quase instantânea dos depoimentos e por divulgar repetidamente os nomes dos candidatos acusados de corrupção. Graças a sua vasta experiência, suas notícias têm credibilidade, como os anúncios em primeira mão da queda de Dirceu e da prisão de Duda Mendonça.

Contudo, para quem pensa que o blog do Noblat está imune aos erros, na seção “Especiais” Noblat lista os “micos” de 2004, que incluem alarmes falsos, previsões que nunca se concretizaram e notícias mal checadas. O fato de esses erros constarem no próprio blog ajuda a aumentar a credibilidade, pois, como o próprio Noblat gosta de afirmar, um erro precisa ser reparado imediatamente.

É importante contar com fontes de notícia independentes como o blog do Noblat, onde a informação não está contaminada pelos interesses econômicos dos grandes conglomerados. Seu blog é analítico e opinativo, o que não compromete a qualidade das informações e permite discussões interessantes entre os leitores que comentam cada notícia. Notícias, aliás, que são postadas a todo instante, inclusive de madrugada. Parece que Noblat não dorme. Parece que o blog do Noblat não dorme. É o preço da informação.