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Sucesso com humor negro

Franciele Mota

A intenção era apenas publicar na Internet conversas e piadas que surgiam quando o grupo de amigos se encontrava. Piadas de baixo nível, fatos distorcidos, artigos difamando a imagem de artistas e de organizações. Resumindo, era tudo o que ninguém tinha coragem ou ousadia de escrever, o que dirá então publicar na web .

Com cinco anos na rede e mais de 30 acessos por dia - e os números continuam crescendo -, Wagner Martins, editor do site cocadaboa.com se diverte mais ainda por pregar pegadinhas em jornalistas desatentos. Aos 27 anos, economista por formação, blogueiro por opção, Martins entra para a plataforma dos proprietários de um diário virtual onde falam o que querem, o que pensam e mostram quem são.

Será que mostram? E o pseudônimo? Seria uma questão de insegurança, já que foi alvo de processo judicial quando mexeu com a vida íntima de celebridades. Um dos grandes problemas foi o incômodo que causou na multinacional Coca-Cola que pediu pra mudar o nome do site. Adiantou? Não. Ele continua.

Mr. Manson, pseudônimo escolhido por ele mesmo, se juntou com outros amigos e a então namorada e montaram um blog com aquilo que é conhecido como humor negro. Para alguns, difamação. Outros classificam de passatempo, já que não dá pra confiar no conteúdo do site. Para ele, o orgulho de ser um dos melhores sites de humor da internet brasileira.

Mr. Martins, ou Wagner Manson, classifica todo o conteúdo como bem criativo, sem papas na língua. Porém carrega o peso de inúmeras ameaças de processos. Vale a pena? Vale como referência nas redações de jornais, para consulta quando chegam algumas notícias absurdas. Vale pelos convites, ainda que recusados, para produzir humor em revista na mesma linha editorial, se é que existe a linha.

E por onde segue a linha editorial? Pelos caminhos escuros da difamação dos símbolos cristãos, pelas curvas satirizadas com respeito ao corpo da mulher, pelas alamedas perigosas da vida íntima dos artistas, ou tudo isso junto. Como se não bastasse, ainda tem o espetáculo assistido de camarote dos jornalistas ou “patos”, adjetivo carinhoso referente aos jornalistas que caem nas armadilhas da notícia falsa, um curinga do Mr. Pegadinhas.

E essa é a chave de ouro do site, publicar notícias falsas. Foi o que ocorreu no caso do novo site de relacionamento Sexkut.com . A piada serviu para boas gargalhadas e abrir os olhos da mídia para o conteúdo que rola solta na rede. A publicação de conteúdo sem apuração, palavra-chave no jornalismo, contraria as próprias normas da profissão. Emplacar trotes, além de antiético, engana veículos respeitados.

Que eles estão fazendo história isso é verdade. São polêmicos em todos os sentidos, mas precisam se esconder atrás de um nome fictício pra falar um monte de besteira? E por fim, no rodapé carregam o escudo: são sustentados por um país europeu. Desarmam toda e qualquer tentativa de processo. Deixam bem claro, para não restar dúvidas, que todo conteúdo é humorístico “e/ou” enganoso. Quem quiser acreditar sinta-se a vontade. O problema será quando falarem a verdade.