A cada edição que passa, nós do Canal da Imprensa oferecemos a você, leitor, surpresas as mais diversas. A partir dessa edição você se deparará com outra: o editor-chefe e o ombudsman agora são a mesma pessoa! Mas fique tranqüilo. Esse acúmulo de funções está longe de ser apenas uma temporária dificuldade de encontrar material humano: estamos falando do fortalecimento didático-pedagógico do nosso ouvidor de imprensa.
Meses atrás escrevi um artigo que foi publicado nos anais do 29.º Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação, promovido neste ano pela Universidade de Brasília (UnB). Com o título “ A necessidade do ombudsman na produção universitária dos cursos de Jornalismo: o caso Canal da Imprensa ”, meu artigo preocupava-se em delinear as características e importância de um novo personagem para a “fiscalização” do fazer universitário: o ombudsman-professor. Como afirmo em meu artigo, “ a figura do professor-ombudsman” é “fundamental para uma simulação mais didática e responsável do ofício”, porque ele pode proporcionar aos alunos, mais do que qualquer outro que assuma a função “referenciais mais seguros de técnica e ética”.
Por meio da atuação de um ombudsman-professor, os alunos podem compreender a responsabilidade que têm diante da credulidade da população em geral, além de conscientizar-se do perigo que “o entusiasmo estético, o lucro e o glamour apresentam à profissão”. Para mim, a figura do professor-ombudsman é indispensável para o “controle de qualidade da produção universitária, diante de tantas ocorrências de plágios parciais, totais e paráfrases desonestas que invadem os cursos de Jornalismo por todo o Brasil”.
Enquanto escrevo a coluna do ombudsman, a seção “Direto da redação” ficará por conta de Paulo Mondego, nosso eficiente secretário de redação. Lá você continuará a par do sumário da atual edição.
Após essa extensa introdução, gostaria de utilizar meu espaço nessa seção para alertar a todos: procuram-se reportagens no Canal da Imprensa . Falta de fontes reais, excesso de pessoalidade e outros fatores exigem a necessidade de reestruturar nossa principal seção, o que se confirma pelas estatísticas seguintes. Vamos verificar apenas dois problemas e seus respectivos diagnósticos e perigos:
1) Problema: Desde a primeira edição da nova proposta gráfica e editorial do Canal , já foram feitas dez reportagens. Dessas dez, dois terços apresentaram como fontes professores do próprio Centro Universitário Adventista de São Paulo. Na verdade, duas delas não citavam outras fontes a não ser as “pratas da casa”. Vanderlei Dorneles, coordenador do curso de Comunicação Social, e Ruben Holdorf, professor e criador do Canal , por exemplo, são citados em cinco reportagens!
Diagnóstico: Duas são as conclusões. Primeiro, a localização do Centro Universitário, por estar afastado dos grandes centros, pode dificultar a vida do repórter (afinal de contas, ele não recebe salário!). Mas a que assusta é a segunda: não dá pra dissociar a relação entre o alto número de fontes do próprio Unasp com indisposição e comodismo. Trocando em miúdos: um aspirante a repórter que não corre atrás da fonte é inaceitável!
Perigos: O conformismo precoce pode fazer com que o estudante perca aquilo que o repórter tem de melhor: a aventura da apuração. E ele ainda pode se iludir que no mercado de trabalho (se conseguir chegar lá), as coisas serão mais fáceis!
2) Problema: Das dez reportagens, duas deles citam pessoas entrevistadas por outros veículos como se eles mesmos tivessem conversado com a fonte. Além disso, têm-se três reportagens que não citam fonte alguma além daquelas de caráter bibliográfico! Soma-se a isso o fato da maioria dos textos serem muito pessoais e adjetivados.
Diagnóstico: Os aspirantes a repórteres ainda não sabem muito bem a diferença entre um artigo e uma reportagem. O excesso de adjetivos mostra a confusão em que o repórter se encontra – como não possui fontes reais, ele mesmo acaba por tornar-se uma!
Perigos: As fontes usadas de outros veículos como se fossem contato do próprio aluno é um típico caso de ingenuidade ou descuido que pode provocar sérios estragos à imagem do jornalista. Já dedicamos uma edição inteira sobre deslizes como esse.
Como você pode ver, nós do Canal temos muito o que discutir em nossa próxima reunião de avaliação (aquele encontro no qual o ombudsman e os articulistas e repórteres lavam roupa suja!). Caso queira, leitor, fazer conhecida sua opinião, crítica ou sugestão, envie-nos um e-mail para:
ombudsman@unasp.edu.br
Estou esperando sua mensagem!
Até a próxima edição!
Allan Novaes
Editor-chefe e ombudsman do Canal
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