Há um ano o Brasil presenciou o início da novela mais badalada da política nacional. Era o “mensalão”, que dava suas caras para a politidramaturgia . Passou uma temporada e parece que os ânimos acalmaram. Doce ilusão. As vésperas das eleições, os capítulos começaram a esquentar o enredo do partido mais popular do país, o PT. Mensalão, sanguessugas, dólares na cueca – muito cômico – e desvio de dinheiro público, incorporaram mais um elemento ao núcleo dessa trama. Surgia a segunda e mais poderosa temporada, a era do dossiê.
Segunda temporada pode ser a última também, caso o presidente Luis Inácio Lula da Silva não consiga a reeleição. E falando nele... Não poderia ocupar cargo melhor na trama, o de mocinho retratado pela revista IstoÉ nas últimas edições. O homem do povo, o herói que saiu da pobreza e chegou ao topo sem esquecer suas raízes. Lula, popularmente conhecido desde a época dos sindicatos, demonstrou confiança e vitória principalmente na imagem que ele consolidou entre seus eleitores.
Proprietário de uma carreira rara onde aparece pela quinta vez diante dos eleitores. Segundo a revista IstoÉ , Lula traz consigo o maior e melhor carro chefe para a campanha de reeleição, o Bolsa Família. Esse projeto implantado pelo presidente para tampar o fracasso que foi o Fome Zero, atingiu o sucesso esperado e tem ajudado mais de 11 milhões de famílias carentes, principalmente na região nordeste onde ele tem grande parte de eleitores fiéis.
Mesmo confiante no resultado das eleições, o presidente buscou montar novas estratégicas para surpreender o eleitor e obteve resultados satisfatórios segundo as pesquisas. Um de seus trabalhos foi beneficiar a classe pobre liberando mais verbas para programas sociais. Mas ao mesmo tempo, subliminarmente, travava o orçamento da classe média. Como se não bastasse, seus “companheiros” de partido envolveram no escândalo da compra de um dossiê contra José Serra, candidato ao governo do estado de São Paulo.
Bomba
A bomba foi lançada. O presidente petista tinha uma batata quente nas mãos, mas para a linha editorial da IstoÉ , o presidente era mais uma vítima de acusações que só queria tirá-lo do poder. Segundo a revista, depois do dia 14 de setembro, os escândalos foram explorados pela mídia nacional, internacional e muito mais na programação eleitoral do candidato adversário Geraldo Alckmin do PSDB. O candidato tucano atacou-o muito mais nas proximidades das eleições. A revista mais uma vez, preocupada com os resultados de primeiro de outubro, temeu com aqueles que acreditaram que esses escândalos pudessem repercutir e trazer efeito negativo no resultado.
Para relembrar capítulos anteriores, a revista Época fez um balanço do mandato do ex-metalúrgico. Apontou as desculpas do presidente quanto às promessas não cumpridas. Afinal, alguém tem que limpar a barra. Mas foi irônica ao afirmar que foram fatores e razões nobres e compreensíveis. Desde quando a população aceita isso? Se não há recursos e competência para justificar uma atitude, então que nem se proponha isso em pauta.
Estaria a revista encobrindo o mandado meia-boca do presidente? No quadro geral avaliou o mandato do Lula com média de 5,2 pontos em torno do que foi prometido. Época ainda expressou sua preocupação quando apresentou essa prestação de contas aos eleitores para que eles pudessem refletir no candidato. Seria conveniente votar novamente?
A revista deu a grande incumbência ao Lula de limpar a imagem do partido que tinha como referência a briga pela ética e a corrida contra as fraudes. Tirar do currículo do PT os escândalos que rodearam nos últimos tempos e limpar a mancha negra da corrupção.
A revista Veja não acredita que essa missão seja fácil. Ela já parte para a afirmação de que o partido não aprendeu a lição depois de tudo que aconteceu no ano passado. Se eles não tomaram consciência de que estão errados, ficará mais complicado levantar um partido que já não tem credibilidade. Veja joga as cartas na mesa e mostra que o candidato é responsável por todo movimento financeiro do seu partido e seu comitê de campanha. Isso é lei.
Não adianta esconder que sabia. A revista é bem clara, e esmiuçou toda a história do dossiê em uma edição especial. A origem do dinheiro para a compra do material cabe um processo ou a cassação ao presidente conforme artigo 30-A da Lei Eleitoral, se os fatos confirmarem. E a revista está preocupada com isso? Pelo contrário, ela mostrou ainda que a idéia principal era unir o governador de São Paulo no segundo mandato do presidente coligados no mesmo partido, o PT.
Com tantas evidências que as revistas deixaram, se o povo aceitou ou ignorou como sendo mais uma crítica ou pensamento editorial de cada veículo, e por isso não importa, o resultado ficou explícito, ou quase. Um segundo turno está por vir. Se acontecer exatamente como a Veja previu, esse será a união dos outros candidatos na guerra para desvendar o dossiê. Há os que temem que a terceira temporada da novela partidária continue. |