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Pizza no jantar?

Caroline Ferraz

Plano de governo, propostas, promessas, decisões, corrupção, eleições. Enfim, política, o que pra muitos sugere PIZZA!

Infelizmente com o decorrer dos anos esse é o pensamento adquirido por milhares de cidadãos quanto à política brasileira. Alguns recebem gordas mesadas; prometem melhoras em campanhas eleitorais e não cumprem, e no final, tudo acaba em pizza.

Colocar a culpa nas origens coloniais não resolve nenhum dos problemas políticos e governamentais. Então surge a questão, o que aconteceu com a política de uns anos pra cá? O que fez com que esse pensamento se expandisse em tamanha escala? Teria a mídia algo a ver com esta linha de pensamento na política?

Retrocedendo um pouco, nos anos 50 e 60 os Estados Unidos e posteriormente a Europa adotaram novas configurações políticas e eleitorais. A ditadura imposta em 1964 impediu que tal processo acontecesse no Brasil, por meio de repressão e censura política. Atrasando consideravelmente a atuação “midiática” sobre a política.

A maioria da população até então, morava nas áreas rurais do País, onde os meios de comunicação tinham pouco alcance, sendo assim apenas 20% da população que ia às urnas. Além de analfabetos, soldados e jovens de 16 a18 anos não poderem votar.

Vinte anos mais tarde, em 1980, nota-se uma diferença brutal. Mais da metade da população foi às urnas, e quase dois terços destes eram semi-analfabetos ou analfabetos. A disputa eleitoral era realizada em ruas e praças. Na precária mídia da época, a imprensa escrita ia à frente. Não existia o horário eleitoral de propaganda gratuita nos meios eletrônicos e a propaganda eleitoral paga era aceita nos meios impressos.

Em 1989, os debates, horário eleitoral, comícios, passeatas, caravanas, pesquisas, e principalmente o contato direto com os eleitores começaram a fazer parte do marketing político. Que até então seria uma revolução política e “midiática” para a época.

Mudanças drásticas

A partir dali “a intervenção do campo das mídias se fez, antes de tudo, em total sintonia com as forças dominantes do campo político. Mais que isto, ficou patente uma afinidade ideológica entre setores dominantes na política e boa parcela da mídia”, descreve o professor e diretor da Faculdade de Comunicação da Universidade Federal da Bahia, Antonio Rubim; e o doutorando na Facom/UFBA e professor da Faculdade Social da Bahia, Leandro Colling.

Segundo eles, “tais intervenções, anotadas, juntamente com outras, forjam a espetacular alteração do cenário político-eleitoral e a vitória de Fernando Henrique Cardoso (FHC) em 1998” . Teria a mídia poder de influência sobre a escolha eleitoral do cidadão brasileiro?

Venício de Lima, em artigo ao Observatório da Imprensa após as eleições, concluiu: “ a mídia não é apenas uma mediadora ou transmissora de informações. Ela é parte ativa e interessada no processo e constitui-se, ela própria, em importante ator político”.

“Nos períodos eleitorais, o papel de ator político da mídia se revela com clareza nas decisões editoriais, nas omissões e nas ênfases da cobertura política. Mas não só aí. Há uma ação implícita, difícil de perceber e de descrever, que é constitutiva da posição de centralidade que a mídia atingiu em nossas sociedades”, continua Venício.

Essa “bela” atuação não faz da situação um bom “filme”. O elenco que governará o Brasil nos próximos anos será escolhido pelo cidadão que mantiver na sua escolha a imparcialidade. Além de atores e atrizes bonitos e com ótima performance, o Brasil precisa de mediadores que não comam só pizza no jantar!