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O príncipe e o plebeu

Miguelli Simioni

O jornalista político Franklin Martins nasceu em 10 de agosto de 1948 na cidade de Vitória (ES). Na década de 60, revoltado com o regime militar, virou líder estudantil e militante, integrando-se assim ao grupo comunista MR-8. Em 1968 foi preso durante manifestações no Congresso da União Nacional dos Estudantes. Já em 1969 participou do seqüestro de Charles Elbrinck, embaixador americano.

Em 1985 iniciou sua carreira jornalística no jornal O Globo e, logo após, foi trabalhar no Jornal do Brasil. Nesse mesmo período residiu na cidade de Londres (EUA), trabalhando como correspondente internacional do SBT e do jornal O Estado de S. Paulo.

Quase uma década depois, em 1994 retornou para O Globo , onde exerceu as funções de colunista político, repórter especial e editor de política. Ao sair desse mesmo jornal em 1997, redigiu algumas colunas para o Jornal de Brasília e para a revista Época. Logo após, dirigiu a sucursal de Brasília da Rede Globo e atuou como comentarista político na TV Globo, Globo News e na rádio CBN.

Atualmente Franklin Martins trabalha na Rede Bandeirantes de Comunicação, apresentando o Jornal da Band, que vai ao ar às 19h20. Além disso, participa na TV BandNews e nas rádios Bandeirantes e BandNews FM.

O duelo editorial

Em 19 de abril de 2006, foi publicado na revista Veja o artigo intitulado “Jornalistas são brasileiros”, de Diogo Mainardi. Nesse artigo o escritor afirma que Franklin Martins, comentarista político - que isso fique bem claro –, utilizou de suas relações com o poder político para empregar irmão e esposa em cargos públicos.

Franklin defendeu-se, dizendo que seu irmão, Victor Martins, é bastante competente para integrar a diretoria da Agência Nacional de Petróleo, e que suas relações políticas não tiveram influência alguma. Acusou assim, Mainardi de difamação.

Para demonstrar sua integridade e ética, Franklin propôs um desafio para o articulista Diogo Mainardi. Aquele que estivesse mentindo, ou melhor, faltando com a verdade, deveria abandonar seu cargo jornalístico para sempre.

Mainardi não se deu por satisfeito e, na semana seguinte, acusou Franklin Martins de fazer parte da cúpula que quebrou o sigilo bancário do caseiro Francenildo Costa. Além do mais, disse que tudo que escreveu estava provado, deixando assim o adversário em maus lençóis. O comentarista político foi procurado pela imprensa para responder as novas acusações, mas estava de férias.

A queda

Ao voltar de férias no dia 04 de maio, Franklin Martins recebeu a notícia de que seu contrato com a TV Globo não seria renovado. O motivo? Ninguém sabe, pois a Rede Globo não comunicou sua saída em público.

Segundo o comentarista, sua saída da emissora não teve nenhum vínculo com as acusações feitas por Mainardi semanas anteriores. Mas a dúvida fica no ar por dois motivos. O primeiro deles é que não é a primeira vez que Franklin perde o emprego por possuir familiares em cargos políticos. Em 1997 ele foi afastado da sucursal de Brasília, pois sua mulher, Ivanisa Teitelroit, trabalhava no gabinete do líder tucano José Aníbal. O segundo motivo é que, se Franklin Martins não tivesse culpa no cartório, a Rede Globo não teria motivos para não renovar seu contrato, já que o mesmo é um comentarista político de primeiro escalão.

Mas fique bem claro que ter parentes trabalhando para o governo não significa que o comentarista seja corrupto ou tenha relações políticas que o favoreçam. O melhor a ser feito, no entanto, é evitar ao máximo que isso ocorra, impedindo assim que caluniadores e difamadores coloquem em risco sua integridade e ética perante a sociedade.

Mainardi faltou com a ética ao insinuar que todos os jornalistas não são éticos e que todos são facilmente persuadidos. Ao utilizar-se da generalização, o colunista perdeu o respeito e admiração possuía. Não é justo que todos os jornalistas levem a culpa por erros que dois ou três cometeram. Além disso, o colunista utilizou palavras grosseiras para agredir a imagem de um colega de trabalho, demonstrando que seu vocabulário precisa urgentemente de uma reforma.

Não importa se você é jornalista, colunista ou comentarista, seu dever é levar a informação sem devaneios para o cidadão. Ser informante da população é uma profissão que exige muito mais do que uma simples faculdade. Exige princípios morais, respeito com seu próximo e acima de tudo ética. O colunista, comentarista ou jornalista, antes de escrever ou falar sobre algo ou alguém ou até mesmo antes de propor algum desafio, deve ser ético para não se arrepender quando as conseqüências aparecerem.