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Mediador social

Cígredy Neves

Jornalismo Político – Teoria, História e Técnicas , organizado por Roberto Seabra e Vivaldo de Sousa. (RCB; 2006; 310 páginas; R$ 33,68).

O jornalista não deve se contentar com a primeira versão do fato, mesmo que esta seja a oficial. Manter o compromisso com a informação da sociedade. Lembrar a importância da verificação das informações para apresentar um relato verídico dos acontecimentos de interesse público. Estas são algumas das inúmeras dicas apresentadas no livro Jornalismo Político – Teoria, História e Técnicas (2006) , organizado pelos jornalistas Roberto Seabra e Vivaldo de Sousa.

Preocupada com o ambiente político conturbado em que o Brasil se encontra, a obra visa contribuir com a discussão, o ensino e a especialização deste tema. É uma compilação peculiar, dividida em três fases que reúne 13 artigos de jornalistas renomados do País, cuja linguagem simples e direta abarca desde estudantes de Comunicação e profissionais da área a cidadãos comuns.

A primeira parte explana a teoria do jornalismo político, com reflexões sobre a profissão e a atuação dos jornalistas. A professora Cremilda Medina analisa a figura do repórter, enquanto Mauro Santayana pondera o seu comportamento ético no seu cotidiano como algo essencial para o bom funcionamento da cobertura política. Já Luiz Martins da Silva propõe o estudo de duas classes de jornalismo, o investigativo: cujo interesse é denunciar, e o institucional: interesse em anunciar.

Após retratar a principal função do jornalista da área política, a coletânea faz um retrospecto da história do jornalismo político brasileiro. Por meio de relatos de experiências de vida, profissionais como Álvaro Pereira, Roberto Seabra e Rudolfo Lago exibem os antecedentes do atual cenário político, a relevância do conhecimento dos fatos, dos personagens históricos e as implicações da apuração e a análise do acontecimento.

Para dar uma visão mais ampla do exercício deste ofício, os organizadores agruparam na terceira parte do livro várias técnicas práticas que podem auxiliar o repórter político no momento da entrevista ou na elaboração da matéria. Helena Chagas inicia afirmando que entrevistar é decifrar e a boa entrevista é matéria-prima para uma matéria de qualidade, portanto, torna-se indispensável um trabalho de apuração realizado com esmero. Vivaldo de Sousa complementa essa idéia ao ressaltar a necessidade de precisão e correção nesse campo do jornalismo.

Em seguida, Eliane Cantanhêde destaca que um relacionamento de credibilidade é o ideal entre o jornalista e sua fonte de informação. Ela explica que é de extrema importância a checagem dos dados, principalmente aquelas em off – a fonte é oculta por questões de segurança.

Atualmente, o público tem exigido um maior acompanhamento dos casos políticos, a fiscalização destes governantes e a cobrança de ética nos três poderes. As pessoas buscam cada vez mais informação qualificada para formar a sua própria visão crítica a partir da análise e interpretação de jornalistas especializados. É por isso que Tereza Crunivel aborda em seu ensaio, a função das colunas políticas na sociedade atual e explica como este meio tem contribuído para a formação de opinião dos leitores. Logo após, Juliano Basile apresenta as principais semelhanças e diferenças entre os jornalistas e os juízes, o que facilita o entendimento dos processos jurídicos que os comunicadores devem acompanhar.

Em seu artigo, Wladimir Gramacho analisa os três tipos de informações que o jornalismo investigativo procura: públicas, privadas e sigilosas e dá um parecer panorâmico da prática de reportagem neste contexto. E por último, há o ensaio de Jorge Duarte, que na verdade é uma espécie de guia prático para as fontes. Nele são apresentados os comportamentos mais comuns no relacionamento entre fonte e imprensa e os pecados capitais que não devem ser cometidos nesta relação. O livro contém ainda uma descrição comentada de dez livros úteis para o aprofundamento no tema.

Jornalismo Político é uma obra singular para os que desejam entender a política, exercer o seu papel de mediador entre o fato e a sociedade e se especializar neste ramo.