Beiramos às últimas semanas de propaganda política no país. Mais alguns dias e o horário eleitoral se encerra na tevê. Então os brasileiros se prepararão para o dia 29 de outubro, quando os estimados candidatos começarão a rezar e aguardar o resultado final.
Pause . Este é o quadro atual do Brasil. Depois do futebol, da Copa do Mundo, as pessoas voltam à realidade, acordam para vida. Começam a pensar em quem irão votar. E muitas vezes tomam uma decisão precipitada e sem consciência.
Felizmente para ajudar nesta tarefa de informar e registrar os fatos, temos o comprometimento e o trabalho de vários meios de comunicação. Dentre eles jornais, revistas, rádios e internet que acompanham diariamente e passo a passo a proposta de cada candidato e de cada partido. Eles pesquisam e divulgam para os eleitores as vantagens dos concorrentes. Fazem a cobertura completa e depois formam suas respectivas opiniões. Nas entrelinhas, camuflam muita coisa e direcionam seus leitores e telespectadores a seguir sua linha de raciocínio. Concordar com sua teoria, seus argumentos e intenções. Uma prática nada imparcial, nada jornalística.
Analisando a cobertura eleitoral feita pela revista Veja neste ano de 2006, percebe-se uma oposição evidente ao governo Lula. Uma aversão pelos movimentos e governos populares que são tratados tendenciosamente em cada página, estampados muitas vezes na capa e esmiuçados nos artigos de opinião, entrevistas e matérias ao longo do periódico. Destaque para o MST, aqui no Brasil, e o governo de Hugo Chávez na Venezuela que, na verdade, são vítimas dessa revista neoliberal, conservadora e muito ideológica.
Pensamento ideológico
Desde que os escândalos no governo Lula eclodiram, os jornalistas e a oposição não deram trégua. E este foi um bom pretexto para que os ataques à figura do presidente e indiretamente aos seus aliados e planos políticos futuros, se comprometesse e prejudicasse, posteriormente, a sua candidatura eleitoral.
A edição de 3 de maio intitulada “ Os 7 pecados capitais da política” , onde Anthony Garotinho é retratado como um verdadeiro “político – diabo” com rabo e chifres, é exemplo evidente; ou a edição da semana seguinte, 10 de maio , “ Essa Doeu!”, que coloca o presidente Luiz Inácio com uma marca de sapatos na traseira, enfatizando assim o “golpe” dado pelo governo boliviano na Petrobrás. Sem esquecer as constantes alegações de ignorância do presidente com relação ao mensalão, a greve de fome de Garotinho e o showmício feito em Aracajú com verba pública.
Outras um tanto irônicas como a foto do Ministro Thomaz Bastos como o guerreiro de Lula que abafa os escândalos do governo. A edição 14 de junho apresenta - Os PTbulls , um grupo de agitadores que depredaram o Congresso Nacional, e seriam financiados pelo governo e chefiado por um dirigente do mesmo partido. Exemplo também da capa “ Máfia dos Sanguessugas - A lista da vergonha”, de 26 de julho, onde é detalhado mais um esquema desta podridão, a corrupção.
Até nas capas como a de 16 de agosto, com a foto de uma mulher negra com o título de eleitor na mão e intitulado “ Ela pode decidir a eleição” , vemos indícios do preconceito atribuído às propostas do PT – o favorito nas pesquisas eleitorais dos mais carentes. O conteúdo ideológico de oposição ao PT que a revista traz, é notável.
A entrevista de Arnaldo Jabor às páginas amarelas de 6 de setembro enfatiza bem a questão. Ele comenta que o “progressimo (governo Lula) é um ensopadinho feito de leninismo, de getulismo, de desenvolvimentismo, estatismo e sindicalismo.” Ou seja, é um governo que procura voltar a um tempo de “utopias irrealizáveis” que impede o País de crescer. Não se propõe a modernizar. Como faria a velha e nova esquerda.
O tipo de governo que só sabe investir no Bolsa Família, nas classes mais baixas a fim de manipular – comprar barato o voto do povo.
Como diz o Jabor, é muito fácil dar comida às pessoas, difícil é lidar com a complexidade. Sendo assim, será complicado ganhar do Lula, pois ele se tornou o “pai dos pobres” com esta política de mudar a vida dos menos favorecidos. Portanto, agora “o voto não é com base no que Lula diz, mas com base no que ele fez”.
Parceria evidente
A postura adotada pela revista Veja é sem dúvida antipetista. E segue uma linha editorial neoliberal. Pesquisas mostram que isto se dá graças ao apoio e parcerias de grandes meios de comunicação e empresas privadas aliadas ao veículo: A revista Veja faz parte da Editora Abril que é administrada por um núcleo familiar - os Civita. E desde o governo do FHC possui relações diretas com os partidos do PSDB e PFL.
O vice-presidente de Finanças do Grupo Abril, por exemplo, Emílio Carazzai, trabalhou na presidência do Caixa Econômica Federal no governo FHC. E a dona do Grupo Abril, Cláudia Costin, outra tucana influente na família Civita, foi ministra de FHC. Foi responsável pela demissão de servidores públicos, ex-secretária de Cultura no governo de Geraldo Alckmin e atual vice-presidente da Fundação Victor Civita. Parcerias evidentes que fazem a diferença na política da revista Veja. |