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Refém da informação

Lene Teixeira

A liberdade de expressão é a bandeira mais defendida pelos meios de comunicação. Tal defesa se faz pensando no leitor, ou telespectador. Será? A revista Carta Capital desenvolve bem esse direito, desde que essa expressão seja usada para elevar à aceitação de seu público alvo a reeleição do presidente-candidato Lula. Contudo, como o brasileiro tem usufruído sua liberdade, se é que ele tem liberdade?

A população mundial vive em alerta após o 11 de setembro de 2001. Recentemente em São Paulo as ondas de ataques do PCC limitaram e tiraram a liberdade de forma generalizada dos cidadãos. Mas não é apenas esse tipo de terrorismo que amedronta a população. O pior vem ocorrendo diariamente e de forma massificante nestes últimos três meses por conta das campanhas eleitorais.

A imprensa, ou pelo menos parte dela, tem bombardeado a mente do eleitor com informações sensacionalistas. Discursos que assaltam as idéias tirando o seu direito de pensar e posicionamentos que seqüestram opiniões, manobrando suas escolhas. É um verdadeiro tiroteio de informações controvertidas. Pode ser que você esteja em cativeiro, e já desenvolveu a síndrome de Estocolmo. Você está preparado para se defender desses ataques?

A revista Carta Capital se enquadra bem na descrição “terrorismo de imprensa”, com os ataques intelectuais, ou nem tão intelectual assim. Por vezes as reportagens tem sido motivo de investigação e o site Mídia sem Máscara revela uma análise sobre o caso. Segundo o observatório, a política editorial é de “esquerda-fashion”. Para eles, o periódico se revesa em fofocas políticas ao publicar informações superficiais e matérias sensacionalistas.

Quem leu a Carta nesse período eleitoral não teve dúvida do posicionamento da revista. Não por ler o editorial (espaço clássico de opinião do periódico), mas por ler qualquer matéria ligada à política. Lula sempre esteve em destaque, às reportagens favoreciam de forma abusiva o candidato não havendo um equilíbrio na cobertura da campanha dos demais presidenciáveis. Se posicionar na linha editorial a favor de um candidato, ou mesmo sobre um determinado assunto é um direito de qualquer meio de comunicação. Entretanto, escancarar em suas matérias esse fato é um desrespeito ao leitor.

Na reportagem sobre o escândalo mais recente envolvendo petistas, “o caso dossiê”, a ligação com o presidente foi amenizada. Na edição seguinte, Lula continuava crescendo nas intenções de voto, segundo a Carta Capital/Vox Populi , o que em outros periódicos e demais mídias não ocorreu. Que liberdade tem o leitor dessa revista? Como esse leitor pode avaliar os discursos dos candidatos e suas propostas? Estará ele preparado para votar?

O cidadão não deve abrir mão da sua liberdade de pensar, duvidar é seu direito, pesquisar deve ser sua obrigação, para que não se torne refém da prática inadequada do jornalismo. É importante lembrar que a liberdade de expressão deve ser assegurada tanto para quem escreve como para quem lê. Sua segurança intelectual não precisa estar exposta a esses ataques terroristas, prevenção está na opção, lendo também outras páginas.