Longe dos leitores, ouvintes e telespectadores, em seus “laboratórios-redação”, os veículos de comunicação “manipulam” informações, que muitas vezes resultam em misturas explosivas. Os veículos escolhem fórmulas e linhas editoriais que resultam em remédio para alguns e veneno para outros.
Em tempos de campanha eleitoral, pesquisas e percentuais se tornam fatores determinantes nos rumos que partidos e candidatos darão as suas campanhas. As fórmulas utilizadas na mídia têm uma influência relevante nos resultados destas pesquisas e suas oscilações.
Mas desvendar fórmulas secretas, seria um trabalho sem emoção para curiosos midiáticos. Muitos veículos de comunicação colocam a imparcialidade na prateleira, mostrando claramente a quem oferecerão sua taça de veneno.
Na mídia impressa, o jornal O Estado de S. Paulo expõe sua fórmula de maneira explícita, em seus editoriais. Os escolhidos são os primeiros colocados nas pesquisas para governador do Estado de São Paulo e presidente da república. A parcialidade reina em muitos editoriais. A exaltação e defesa ao PSDB, a José Serra e a Geraldo Alckmin, são cristalinas. Sobram críticas a política de governo do atual presidente, ao candidato Lula, ao PT e aos escândalos e crises que envolvem o que eles chamam no editorial de 23 de setembro de “patota do presidente”.
O discurso de suposta ascensão econômica, proclamado por Lula e a falta de investimentos na educação básica e fundamental, são claramente condenados no editorial de 15 de setembro. O editorial de 22 do mesmo mês discorre sobre a desvantagem do Brasil no relatório sobre o desenvolvimento mundial. Conseqüência da rigidez orçamentária e principalmente do mau uso do dinheiro público. As reações dos mercados financeiros são consideradas como “A herança maldita de Lula”, título do editorial de 23 de setembro.
Com tantos escândalos envolvendo o PT, ingredientes não irão faltar. O PT, invariavelmente, faz o que ninguém faria: oferece munição a oposição. No editorial de 19 de setembro, intitulado “O PT chafurda na lama”, o Estadão partilha o pensamento de Geraldo Alckimin, quando diz que os “companheiros do presidente se esbaldam na lama do submundo do crime”. Chama de “puro blefe”, o dossiê que seria a tentativa do PT em envolver os candidatos José Serra e Alckmin no escândalo das ambulâncias.
A presença de José Serra nas fotos, onde ambulâncias foram entregues, são justificadas como ossos do ofício. O então ministro da saúde, no exercício de sua função pública, estava impedido de escolher suas companhias em tais eventos. Segundo o editorial, o mesmo não se aplica a Lula que têm como aliados os envolvidos na “maracutaia”. O Ministério Público e a Justiça Eleitoral são conclamados para investigar o “conto-do-vigário”.
No editorial de 21 de setembro o diário questiona o argumento petista de que não haveria interesse em prejudicar o PSDB, já que a derrota em São Paulo de Aloísio Mercadante é esperada e o atual presidente tem a reeleição quase certa. A teoria da conspiração, aclamada por Lula, é classificada como oportunista. As referências ao PT são adjetivadas como: “rol de quadrilheiros”, “mafiosos”, “arquitetos da torpeza”, entre outros.
Surge então a pergunta que não quer calar: Lula é inocente? A resposta é sugerida nas palavras de Leonel Brizola que dizia que Lula seria capaz de “pisar no pescoço da mãe”, para conseguir o que queria. Ao candidato Alckmin, fica a deixa, conclamar os eleitores a votarem nele no segundo turno.
Segundo a história, o objetivo principal dos alquimistas era transformar metais em ouro. A posição do Estadão , nesta eleição, é similar. Transformar o “lodaçal” do PT em votos para o PSDB. Mesmo que não consiga a façanha, fica declarado em sua linha editorial: somos “Alckmistas”. |