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Regente das Eleições

Dayse Fagundes

A manipulação das mentes humanas mediante a mídia televisiva se arrasta desde sempre. Para viver livre desta manipulação é necessário que se nasça cego, surdo e mudo. Os maiores veículos de comunicação existentes hoje deveriam prestar serviços de forma limpa e honesta à população. Mas alguns destes caíram na tentação e se envolver de forma escandalosa com o lado sujo e corrupto da política de nosso país.

O voto de cada cidadão é a ferramenta mais poderosa da democracia, porém a população está tão bitolada com a idéia de ter uma mídia que tem por dever orientar os eleitores e ajudá-los a tomar decisões que esqueceu que esta também tem o poder de controlar e manipular a mente humana. A mídia tenta através de notícias e de programas de entretenimento passar para os telespectadores noções básicas de como agir e pensar, como se eles fossem máquinas e não seres racionais, ou seja, a mídia “estimula” a democracia, mas não permite que os cidadãos a exerçam.

“Aqui se faz aqui se paga”

Fundada durante o regime militar, a Rede Globo começa sua história junto à política de maneira desastrosa. No histórico da emissora é possível descobrir inúmeras fraudes e complôs contra a população. O “escândalo Proconsult” envolvendo o candidato Leonel Brizola, a verdade sobre as “Diretas Já”, a fraude nas eleições entre Lula e Collor, O caso de Antônio Carlos Magalhães, a colaboração com a reeleição de Fernando Henrique Cardoso, o episódio que marcou o Brasil com a ex-governadora do Maranhão Roseana Sarney, refresca a memória do povo brasileiro quando citados, despertando a atenção destes momentaneamente. Mas logo tudo cai no esquecimento e volta a ser a mesma baderna de sempre.

Segundo Luís Felipe Miguel, do Instituto Universal de Pesquisas do Rio de Janeiro, a emissora se aliou ao Governo Federal quando se encontrava em situação financeira difícil, já que ele era uma fonte de socorro nos momentos de aperto. Ele diz ainda que do mesmo modo que fazia no passado a Globo manipula e direciona a opinião pública nos dias de hoje de acordo com seus interesses particulares. Passando por cima de qualquer conceito de ética, isenção jornalística e compromisso com a verdade dos fatos.

Hoje em meio às crises políticas e eleições o povo brasileiro se depara mais uma vez com a necessidade de ser notificado pela imprensa sobre as campanhas eleitorais. Aquela que tem como papel informar, fiscalizar os poderes públicos e dar ao povo aparatos para a escolha de um candidato honesto para liderar o país, ainda tem se corrompido.

De forma sutil a imprensa ainda controla e rege as eleições, o Observatório Brasileiro de Mídia mostra que há um desequilíbrio na cobertura pela parte da mídia a favor do principal candidato da oposição, Geraldo Alckmin. Foi revelado ainda pelo Observatório que entre os dias 28 de agosto e 15 de setembro quase metade das informações passadas ao público eram informações negativas sobre o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Um exemplo notável é o que fez os jornalistas da Globo na caravana do JN. Em um trecho que liga o Maranhão ao Pará, os correspondentes entrevistaram motoristas que pediam e suplicavam para os repórteres mostrarem a vergonha do Brasil (um trecho danificado da BR-316). “Mostra aonde foram parar nossos impostos” e um dos apresentadores mais sensacionalistas da TV brasileira faz questão de aparecer e dar sua contribuição ao povo, indicando defeitos com a sinalização e com as falhas do asfalto. A princípio parece que estes fizeram jornalismo, pois não encobriram as moléstias do governo. Mas será que esse era o real objetivo da matéria? Ou seria pura propaganda ideológica em favor de Alckmin, que semanas antes tinha mostrado em horário eleitoral seus planos para concertar estradas.

A análise do comportamento da mídia em relação às candidaturas surpreende cada vez mais. A Globo juntamente com outras emissoras televisivas poderia ser considerada o quarto poder nacional atuando ao lado dos poderes legislativo, executivo e judiciário. Porém este quarto poder não tem desenvolvido bem sua missão e seus valores para com a sociedade. A emissora ainda tem grande peso na formação de opiniões e essa influência é usada de maneira tendenciosa para reger não só a vida do povo como também suas decisões eleitorais.