O tema político é o mais abordado nos principais veículos de comunicação do País. É impossível não notar que em ano de eleições o assunto ganha ainda mais atenção de toda a imprensa brasileira. E como o jornalismo nacional tem se comportado diante dessa importante tarefa que é a cobertura política em todo o Brasil? A decisão do voto é uma escolha importante e é fruto de muitos fatores que estão simultaneamente em ação. Cada influenciador tem um papel. E nesse script, como tem sido a performance da mídia?
“Nos períodos eleitorais, o papel de ator político da mídia se revela com clareza nas decisões editoriais, nas omissões e nas ênfases da cobertura política. Mas não só aí. Há uma ação implícita, difícil de perceber e de descrever, que é constitutiva da posição de centralidade que a mídia atingiu em nossas sociedades”, argumenta o articulista do Observatório da Imprensa, Venício de Lima, em seu artigo “O papel da mídia nas decisões de voto”. Ele afirma que a mídia não é simplesmente uma mediadora ou transmissora de informações, mas é também parte ativa e interessada no processo. Ele observa que em um debate, por exemplo, percebe-se até certo medo dos candidatos para com o apresentador.
O jornalista da Rádio CBN de Mogi Mirim, Kaique Barreto, afirmou que essa é uma questão mais profunda e, dependendo da atuação, o trabalho é sempre o mesmo: apurar a informação. “Basicamente se acompanha o movimento nas seções, apuração, candidatos da região que se elegeram, pessoas que aproveitam para ganhar dinheiro, balanço de justificativas, análise de resultados. Enfim, sempre informando”, disse.
As críticas sempre surgem. Para o articulista do Observatório, Luciano Martins Costa, a televisão se limitou ao discutir pouco os problemas na democracia do País. “Dessa forma, a imprensa não se mostrou capaz de romper o isolamento das populações carentes, cuja escolha eleitoral parecia retratar o abismo que as separa das classes médias e das elites”. E vai além: “com raras exceções, a imprensa, em especial os jornais diários, tomou partido e influenciou diretamente nos resultados” conclui.
O diretor de jornalismo do Sistema Brasileiro de Televisão (SBT), Luiz Gonzaga Mineiro, criticou a atitude da mídiano programa Ver TV, da Radiobrás e TV Câmara. No debate ele afirmou que as televisões erram ao dar muita importância à cobertura das eleições presidenciais, deixando para segundo plano a disputa dos cargos do Legislativo. “A eleição mais importante que acontece neste momento, ou tão importante quanto à eleição presidencial, é a eleição do Parlamento. Estamos em uma eleição do parlamento fundamental e ninguém trata da maneira adequada”, afirma Mineiro.
O cientista político, Marcus Figueredo, que também esteve no programa, afirmou que a questão política deve ser abordada a todo momento e não somente em época de eleições. “Na televisão, a ditadura para quem tem que trabalhar é a do conteúdo qualificado. A ditadura da audiência não se aplica aqui. Você não está vendendo varejo, está formando a consciência cidadã”, analisa.
O universitário Heverton Cordeiro Gandra confirmou a opinião de Mineiro no que diz respeito à falta de conscientização quanto às eleições parlamentares. “Eu estava me dirigindo para votar na seção e vi duas meninas pegando santinho no chão, rindo e falando que não sabia em quem ia votar pra deputado e que ia votar naquele mesmo do santinho que ela achou no chão. Achei um absurdo”, revela o estudante.
Amadurecendo ou não, o resultado sempre será das camadas populares da sociedade, que são a maioria. E sempre haverá crítica para a mídia. |