A Rede Bandeirantes de Comunicação foi a primeira emissora a transmitir um debate político no Brasil. Em 1982 a emissora começou a promover debates entre os governos estaduais. E era por meio desses debates que os eleitores conheciam as propostas dos candidatos. O primeiro debate realizado por ela entre os prováveis candidatos à presidência do País, Leonel Brizola e Franco Montoro, foi em 1988. Como a candidatura de Montoro acabou não se concretizando, no ano seguinte a rede promoveu cinco debates entre os candidatos mais significativos somente no primeiro turno. Já no segundo turno, fez parte da pool junto com as outras emissoras, transmitindo os dois debates realizados entre Collor e Lula. No comando de Fernando Mitre, diretor nacional de jornalismo da Band, a emissora já produziu em torno de 31 debates.
Embora tenha essa tradição, a Band não produzia debates entre presidenciáveis desde 1989. Neste ano, porém, a emissora foi a primeira a promover o debate entre os candidatos, Alckmin e Lula, para o segundo turno. O debate foi repleto de acusações, críticas e baixarias, sem contar a pobreza nas discussões sobre as propostas de governo. Assim, a promessa antes feita de um debate ético, calmo e tranqüilo não foi cumprida.
Os candidatos não se importaram em responder as perguntas que lhes eram feitas, preocupavam-se apenas em agredir um ao outro verbalmente por causa dos erros políticos cometidos no passado. Com isso, o debate tomou a forma de um tiroteio verbal.
A repercussão
Durante o debate, a audiência da Band atingiu 20 pontos segundo prévia do Ibope divulgada pela emissora. No dia seguinte, a programação era divulgada e comentada em todos os principais jornais do país. O motivo foi simples: a presença de Lula no debate, que esteve ausente em discussões no primeiro turno. E ainda, a revelação de como Alckmin atacaria seu adversário. O candidato do PSDB apresentou um discurso agressivo, cheio de acusações e críticas e o manteve até o final do programa.
Já os outros debates promovidos por outras emissoras não obtiveram a mesma repercussão. O eleitor estava farto de ouvir apenas acusações e nada de discussão sobre as propostas de governo de cada candidato. Sem contar que o debate promovido pela Globo ocorreu nas vésperas da eleição e os meios de comunicação estavam voltados para esse dia e não para o debate.
Relevância para o eleitor
As acusações e o tom agressivo dos candidatos ajudaram o eleitor a permanecer acordado no debate, mas não contribuíram em nada para o esclarecimento de suas dúvidas. Em alguns momentos o debate parecia mais o programa Casos de Família, da mesma emissora, do que um programa político.
Outro ponto que confundiu o eleitor foi o pouco tempo que os candidatos possuíam para responder as perguntas. Os dois minutos foram insuficientes para que os candidatos apresentassem suas propostas. É necessário que o tempo seja maior e as intervenções sejam menores. Só assim o eleitor terá tempo de analisar cada discurso, e depois tomar uma decisão correta. As emissoras, ao colocar no ar um debate político, devem se preocupar com o conteúdo a ser apresentado e não com o ibope que será gerado. |