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Formato “Padrão”

Allana Ferreira

No segundo turno as expectativas em relação aos debates foram bem maiores do que no primeiro. A confirmação da presença dos dois concorrentes a presidência, mais o prestígio jornalístico que a recém contratada Ana Paula Padrão trouxe ao SBT, fizeram com que a emissora entrasse na arena política na segunda rodada das eleições.

O Sistema Brasileiro de Televisão, que realizou seu último debate no primeiro turno das eleições de 1989 entre Lula e Collor, apresentou um programa com formato mais rígido, padrão. Comparado com a excessiva busca de audiência do primeiro embate eleitoral, realizado pela TV Bandeirantes, pode-se dizer que o SBT conduziu o encontro com alguma serenidade e seriedade. Tanta serenidade que o telespectador teve que se esforçar um pouquinho para manter-se acordado.

Formato

Foi dividido em quatro previsíveis blocos. No primeiro os candidatos mostraram suas propostas de governo em relação a quatro temas sorteados pela mediadora. No segundo e terceiro bloco, um candidato fez duas perguntas ao adversário. E no quarto bloco, as considerações finais.

Este formato não possibilitou o “grande exercício de aprimoramento da democracia”, como a apresentadora mesmo disse na introdução do programa. Essa por sua vez merece comentários à parte. Jornalista de grande renome, quase se juntou aos dois convidados no começo do programa, em que mais fez propaganda da emissora do que introduziu o debate. Elogios à função da democracia e ao SBT por estar contribuindo para execução da mesma.

Os candidatos estavam atrás de uma mesa sentados ao lado da mediadora. Disponibilizavam de um tempo que também não cooperou muito com o andamento do debate. Sendo um minuto para pergunta, dois para resposta e mais um pra réplica e um para tréplica. O espaço fornecido mais favorecia a agressão do que a explicação. Os concorrentes à presidência, ansiosos para convencer os eleitores, constantemente ultrapassavam o tempo já pré-determinado.

Aqui se abre mais um parágrafo dedicado à jornalista, que ao perceber a permanente violação do tempo, em mais de dois momentos, levantou o tom de voz para tentar reafirmar as regras a Lula e Alckmin. Essa atitude gerou vários comentários, desde péssima atuação jornalística a precisa atuação.

Boatos e resultados

Diferentemente da Record, que optou pela participação direta de jornalistas, e da Globo, que no último debate procurou inovar, trazendo eleitores indecisos para fazer perguntas no 1º, 2º e 3º bloco, o SBT não obteve uma relevância considerável diante o eleitor.

Sua formatação não possibilitou uma diversidade de temas e assuntos, fazendo o telespectador ouvir as mesmas coisas que já tinha ouvido. Os comentários ‘bom, fraco e chato' frutos da ausência de novidades no programa, se tornaram sinônimos em relação ao debate.

Para que haja um autêntico debate e confronto de idéias seria preciso que o tempo das intervenções fosse um pouco mais generoso, que houvesse a participação de terceiros como jornalistas, convidados, eleitores entre outros. Para isso, é indispensável a presença de mediadores capazes de impor-se aos debatedores. E debatedores mais objetivos.