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Defensor da informação

Bianca Rothstein

No dia 30 de maio faleceu o jornalista Daniel Herz. Ele foi um defensor dos movimentos democráticos. Era diretor da Federação Nacional dos Jornalistas ( Fenaj) . Fez mestrado na Universidade de Brasília (UnB), era professor na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e foi o primeiro chefe de Departamento de Jornalismo da UFSC. Também se envolveu com a política, sendo secretário de Comunicação do governo do PT de Porto Alegre. Escreveu o livro A História Secreta da Rede Globo .

A obra conta os bastidores da história do maior veículo de comunicação do Brasil. Herz relata como a Globo conseguiu se tornar a maior empresa de comunicação do País. Ela teve um suporte financeiro de empresas do exterior. E relações com o regime militar. Foi essa obra que o tornou conhecido nacionalmente. O livro faz parte das leituras obrigatórias da maioria das faculdades de jornalismo do Brasil.

Suas lutas

Daniel Herz lutou pela democratização da comunicação brasileira. Ele foi um dos coordenadores o Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC). Lutou para que a democratização da mídia fosse incluída na Assembléia Nacional Constituinte de 1988. De 1991 a 2002, Herz fez parte do Conselho de Comunicação Social. Nunca deixou de acreditar e lutar pelos direitos da comunicação e pela liberdade da informação.

Desde 1998 era diretor do Instituto de Estudos e Pesquisas em Comunicação (Epcom), organização não-governamental que faz pesquisa para auxiliar a democratização dos meios de comunicação no País.

Na UFSC foi o primeiro chefe de Departamento de Jornalismo. Estruturou as bases do funcionamento do Curso de Jornalismo, implantou o inédito Conselho Paritário de Professores e Alunos e das eleições diretas para todos os cargos de chefia.  Isso na década de 80, em pleno regime militar.

Democratização da TV digital

Em relação à TV digital, o jornalista acreditava que estabelecer as tecnologias antes de se definir os objetivos sociais da digitalização corresponderia a um retrocesso. Acreditava ser um processo de discussão muito complicado. Desejava que todos tivessem o direito de ter a TV digital. Dizia que a democratização do acesso à implantação dessa tecnologia exige que este debate tenha participação e leve em consideração às diversas classes existentes na sociedade. Sabia que ainda existia muita coisa pela frente em relação à inclusão digital. Em entrevista ao observatório da Imprensa, Herz disse que “a inclusão digital significa não só disseminação de equipamentos, mas, sobretudo, acesso à redes que permitam essa inclusão.”

Daniel Herz lutava pelos direitos da comunicação. Acreditava que todos têm o direito a inclusão digital. Por isso nunca deixou de lutar por seus interesses. Ele morreu, mas seus feitos e suas idéias ficaram na memória de todos os jornalistas que também acreditam na democratização da comunicação. Após ter perdido a batalha contra o câncer, o jornalista deixou a mulher e três filhos.