Muitas pessoas reclamam o direito de liberdade de expressão. Querem dar a sua opinião, ser influentes. Poucas, no entanto, tem consciência de que liberdade de expressão não se restringe ao direito de falar, mas também de ouvir opiniões diferentes. Hoje, graças a uma série de ações de vários grupos, essas "poucas" pessoas são um número cada vez maior. Um grupo que nasceu como fruto dessas ações é o FNDC, Fórum Nacional pela Democratização da Mídia.
O fórum surgiu nos anos 80, mas foi oficializado em 1991. Seu nome pomposo explica exatamente o que ele quer: transferir o poder da mídia das mãos dos poucos poderosos para as mãos do povo. O objetivo é bonito e faz coro ao discurso humanitário, mas o que há de realidade na atuação do fórum?
O FNDC tem obtido avanços muito importantes para um País que até pouco tempo era completamente manipulado por alguns veículos de comunicação e nem sequer imaginava nada. Composto por entidades da sociedade civil, ele ajudou a viabilizar o Conselho de Comunicação Social, o órgão responsável pela interlocução entre a sociedade e o governo, na área de comunicação social.
Graças a esse espaço, a entidade conseguiu implantar a disputa da regulamentação da TV a cabo, permitindo a inserção de canais educativos. O fórum também trabalhou na aceleração de concessões de rádios comunitárias. Ele tem proposto discussões sobre a digitalização da comunicação social eletrônica e a regulamentação da regionalização da produção cultural, ou seja, que os conteúdos sejam produzidos em escala regional e não nacional, como ocorre hoje.
Em um país dominado pelo coronelismo eletrônico, são conquistas importantes. Entretanto, ainda é pouco. As discussões do FNDC vêm ganhando força principalmente na Internet, um veículo que não alcança sequer 20% da população. Muito pouco contra o domínio das poderosas emissoras de televisão, com quase a totalidade de cobertura. E alguém acredita que alguma emissora apoiará um fórum que, literalmente, quer tirar o seu poder? Basta ver que o FNDC também esteve nas discussões do Sistema Brasileiro de Televisão Digital (SBTVD) e sofreu uma grande derrota, imposta pelas emissoras – e diga-se de passagem, lideradas pela Globo.
Falar em propostas para democratizar a mídia é, praticamente, uma discussão elitista, já que poucos têm acesso ao assunto. Tirar o poder dos "coronéis" e dar ao povo só é possível por meio de uma cultura crítica. E isso, somente a educação pode fazer.
Os problemas do Brasil são crônicos, estão interligados e têm raízes na desigualdade social e na falta de educação. Isso não significa, porém, que o cidadão pode cruzar os braços e desistir. É por isso que as ações do FNDC, ainda que sejam pequenas diante de um contexto tão complexo, são louváveis e devem ser estimuladas. Afinal, nada liberta mais um povo do que conhecer a verdade. E só conhece a verdade quem tem a oportunidade de ouvir várias vozes. |