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Tecnologia a vista

Gleibson Alves

Em 1994, começaram as discussões sobre a televisão digital no Brasil. Desde a era FHC, o governo tem a intenção de implantar essa evolução do aparelho visando um avanço tecnológico e a modernização no ramo da telecomunicação. Aumentar a qualidade da imagem, do som e promover a interatividade através da televisão foram algumas das ações básicas pretendidas para o sistema aberto de televisão digital.

Buscando beneficiar todos os brasileiros com a implantação da nova tecnologia, o governo decidiu definir objetivos a serem alcançados. A inclusão digital, a educação à distância, o desenvolvimento da tecnologia e indústria nacional, o ingresso de novas empresas no setor, um aprimoramento na qualidade de áudio e vídeo e um incentivo a indústria regional para produção de programas digitais eram os principais pontos do projeto brasileiro.

Para atender a todos os quesitos exigidos pelo governo, foi colocada em pauta a criação de um Sistema Brasileiro de Televisão Digital (SBTVD). Até o final de 2005, mais de 53 milhões de reais foram investidos em pesquisas para a criação de um modelo de TV digital que pudesse suprir todas as metas traçadas pelo governo federal.

Pressionado pelos diretores das grandes emissoras de televisão brasileiras, o Ministério das Comunicações, cogitou em público a possibilidade de adotar um padrão de reprodução digital já existente e de adaptá-lo as necessidades do País. O discurso parecia um pouco incorreto quando se buscava um fortalecimento da indústria nacional.

Desde então, o Brasil estava fazendo acordos com o governo japonês para um possível fornecimento do sistema digital e sua implantação. Mas fica a indagação: por que o modelo japonês de TV digital?

Padrões internacionais

Falando em tecnologia de televisão digital, há três modelos existentes no mundo: o modelo japonês, o europeu e o norte-americano.

O padrão norte americano possui uma tecnologia que possibilita a alta definição de 1920 x 1080 pixels . Permite, também, até seis programações de um mesmo canal sendo transmitidas ao mesmo tempo em definição padrão e reprodução de som em Dolby Digital , similar ao do cinema. Porém, a mobilidade da transmissão é deficiente.

Já o padrão europeu faz um uso maior do espectro de transmissão. Isso possibilita um maior número de canais utilizando a qualidade de imagem digital padrão. Não é alta definição, mas é como a imagem de DVD. Um destaque para o padrão europeu é que ele seria o mais barato para compra de decodificadores.

O modelo japonês promove uma maior interatividade com o telespectador, porque ele apresenta mobilidade, alta qualidade de som e imagem e abrange um espectro que permite uma maior diversidade de programação. Uma das grandes vantagens citadas e defendidas pelo governo a respeito desse modelo é o sistema que permitirá o alcance do sinal à tecnologia móvel inteiramente gratuito.

Como tudo tem seus prós e contras, uma polêmica tem sido gerada em torno dos responsáveis pelos serviços de telefonia móvel. Eles alegam que essa possibilidade de transmissão gratuita em celulares os lesiona. Afinal, as teles não precisarão intermediar a captação do sinal e assim perdem por não ganhar dinheiro.

Entretanto, o Ministro das Comunicações, Hélio Costa, afirma que o “governo não abre mão de que a TV aberta digital chegue ao seu celular de graça, mas as operadoras só poderão cobrar por serviços específicos.” Citou um exemplo prático, como a repetição de um gol durante uma transmissão de futebol. “O luxo você pode cobrar. O essencial não”.

Existe, todavia, mais outros dois sistemas de modulação digital disputando o mercado brasileiro. Todos na verdade são sinais digitais, mas o que influencia e diferencia uma tecnologia da outra são as possibilidades que eles oferecem. A disputa deveria ser igual para todos. Contudo, há uma política de “boa vizinhança” do governo com as grandes emissoras que dominam todo o ramo. Elas querem um sistema que não altere o número de canais permitidos atualmente. Não querem ampliar o número de concorrentes no sistema brasileiro de televisão aberta.

Democracia em mídia parece existir apenas em discursos bonitos. O oligopólio, as amizades comprometedoras e as imposições é o que realmente conta.