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Futuro duvidoso

Deyvison Veloso e Allana Ferreira

A TV analógica está com seus dias contados no Brasil. Após algum tempo de discussão, foi definido a implantação do modelo japonês para TV digital.

O padrão japonês possui uma grande qualidade de imagem, como o modelo europeu e o americano. Mas o modelo nipônico não possui um espectro abrangente, diminuindo as possibilidades de novos canais. Uma das grandes dificuldades desse sistema é o valor. Dentre os padrões existentes é o mais caro, e as peças só são produzidas no Japão, implicando em altos custos no processo de instalação. Por isso o governo do Japão afirmou que irá auxiliar na mão-de-obra, além de ajudar com investimentos.

A grande vantagem do padrão japonês é a sua mobilidade. O telespectador poderá assistir as programações por meio de celulares, na internet e até no carro. Todos esses meios estarão conectados, o que auxiliará ainda mais a interatividade entre a emissora e o telespectador.

A previsão para o início das transmissões da TV digital no Brasil é para 3 de dezembro de 2007 na região de São Paulo, e a partir daí nas principais cidades brasileiras e depois estendido até as demais. A conclusão da implantação e a desativação do sistema analógico devem ocorrer em 29 de junho de 2016.

Essa mudança precisará de muito investimento e vai custar mais caro também no bolso do brasileiro. Nem todos, pelo menos no início, irão adquirir a TV digital, por isso serão fabricados conversores. Assim a programação digital pode ser assistida na TV analógica por meio do conversor, com uma qualidade de imagem não tão alta, mas muito superior à da TV analógica.

Um dos grandes problemas da TV analógica é a questão da imagem e a sua qualidade. Além da qualidade de imagem existe a qualidade de conteúdo. Os programas que são transmitidos na TV analógica geralmente são tendenciosos, valorizando a imagem e o corpo. Com isso os fatos realmente importantes, as notícias, a arte e o conhecimento são deixados para trás. Esse é outro ponto que a TV digital pretende melhorar, pois agora quem irá definir horário e programações será o próprio telespectador. O direito de escolha será maior, o que vai causar um impacto nas emissoras e proporcionar resultados benéficos.

Mas existe também outro lado. Como o padrão japonês oferece uma quantidade menor de canais, não haverá tanta diversidade como nos modelos rejeitados, o que pode resultar na continuidade da programação de péssima qualidade.

Esse processo de evolução é realmente importante para o Brasil, pois as transformações são necessárias e até mesmo obrigatórias. A competitividade no mundo globalizado faz com que os países busquem avanços, mesmo que não estejam preparados para isso.

As necessidades de evolução do modelo analógico para o digital são reais, mas a escolha do modelo foi guiada por interesses do governo, que nem sempre são os melhores para o País, pois geralmente não abrangem todas as camadas da sociedade. Os que mais precisam de mudanças continuam convivendo com as mesmas situações ultrapassadas, fazendo com que a desigualdade continue prevalecendo em nossa sociedade.

O que se torna essencial no momento não é o processo de modernização, mas fazer com que as mudanças que estão ocorrendo alcancem toda a população.