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... a turma de formandos de 2006 se encontrasse daqui a 10 anos?

Thiago Campossano

O certinho da classe, como era de se imaginar, está em sua sala... a sala de diretor de redação de um novo jornal no estado do Paraná. Apenas dez anos se passaram, mas um dos maiores furos de reportagem da história da imprensa foi captado por esse jovem dando-lhe um imenso status em pouquíssimo tempo.

Num belo dia de correria na redação o telefone toca e uma conversa agradável percorre os 5 minutos seguintes.

Um pouco mais ao norte se encontra o lado feminino do mesmo estereótipo de retidão. Aquela que sabia tudo e mais um pouco em todas as aulas e prestava atenção em cada palavra dos professores. Sempre acompanhada de suas ferramentas tecnológicas, na grande São Paulo, trabalha para uma agência de artes gráficas focada em capas de CD do gênero sertanejo.

Na hora do almoço o celular toca e, como de costume quando incomodada, atende impaciente. A conversa não dura 2 minutos.

Aquelas que desde a faculdade demonstravam grande relação com a internet estão juntas no mesmo local de trabalho, redação da UOL. Separadas apenas por biombos na altura da cintura conversam somente por MSN. E é por este meio que chega a notícia a uma delas, que rapidamente compartilha com as demais.

Em menos de alguns segundos a notícia chega e é repartida. Logo todas já fazem planos e preparativos para o evento.

Ainda no estado paulista, os dois que sempre batalharam pela conclusão do curso sob as dificuldades da distância trabalham juntos como assessores de imprensa da prefeitura de Campinas. Ele sempre estava estressado e o do campo, sempre tranqüilo, embora bravinho.

Um e-mail chega com a notícia do evento. Inicialmente pouca importância é dada, mas com certeza eles estarão lá.

Dizem que notícia ruim corre rápido, mas nesse caso a notícia não é ruim e se espalha velozmente. Chega aos EUA, onde se encontra o garotão das artes gráficas que até brigou com o professor na apresentação do TCC. Chega aos lençóis maranhenses, onde se encontra aquela que sempre levou no peito a identidade nordestina. Chega ao Caribe, onde aquele que não desgrudava da filmadora participa das gravações de um filme hollywoodano.

Chega também à Brasília na sede sul-americana da IASD, onde se encontra aquela que dedicou-se ao ministério desde a faculdade. Chega aos campos esportivos, onde se encontra aquele fanático por futebol. Chega à Folha de São Paulo, acredita? Os dois que sempre brigavam na sala trabalham juntos nessa grande redação. E ao contrário de antes, estão unidos mais do que nunca - a estressada com o do contrário. Chega à fazenda do cantor sertanejo da classe. Chega a todos, um por um.

O convite foi realizado no mesmo dia, quarta-feira, convocando todos para o evento no domingo. A urgência assusta alguns, mas não interfere nada em outros. O local: Unasp-EC, o berço de tudo; a hora: 15h.

Chega a sexta-feira e alguns já se preparam para o grande reencontro. Fotos são selecionadas, diplomas, certificados, conquistas e novidades para serem contadas a todos. No domingo, ao meio dia, dois ou três já chegam em seus carros. Um chega de helicóptero, outro de avião particular e pousa em Campinas. E por aí vai...

O reencontro é encarado por todos como algo muito importante devido à urgência do recado. Além disso, rever os colegas de classe sem dúvida seria demais de gostoso! Todos são colocados em uma sala de espera no Centro de Comunicação e exatamente às 15h são levados para uma sala de aula. Alguns já se olham e se entreolham. Na sala, um homem alto de barba grossa entra e pede atenção de todos.

- Para nós do Unasp é um privilégio muito grande tê-los de volta. Agradecemos muitíssimo a compreensão e dentre de cinco minutos começaremos a prova - relata o homem, que sai da sala.

- O quê!? - exclama, como sempre, o do contra. - Que história é essa de prova?! Tá doido?

- É isso mesmo. Eu não vim aqui pra fazer prova! - exclama, como sempre, a estressada que agora defende o colega com unhas e dentes.

- Gente, vamos com calma - responde a calminha e produtora de capas de Cds sertanejos.

Sem chance. A prova tem que acontecer. Os ex-alunos discutem a situação indignados, mas percebem que a prova tem importância gigantesca para a instituição e para eles próprios. Devido a problemas na parte tecnológica da faculdade, todos os dados da turma de formandos em Jornalismo de 2006 foram deletados. Isso significa que a instituição corre sérios riscos de ser fechada. Por isso foi realizada essa convocação de urgência.

Mas e agora? Eles fazem a prova ou não? O quadro é diferente da época de faculdade, pois todos são profissionais e adultos. Não engolem mais qualquer coisa que lhes dão como obrigatório. Porém, mesmo assim eles decidem receber a prova e mais uma vez ajudar a faculdade. (Que coisa não? Eu já vi esse filme antes...)

E, ao receberem a folha de questões, notam algo diferente. Quando olham para frente vêem entrar seus professores, um por um. Tudo não passava de um teste. Se aceitassem a prova, demonstrariam aos seus mestres que apesar das reais injustiças, todos mantiveram o que sempre demonstraram na faculdade: humildade. Apesar dos pesares, a vida sempre lhes mostrou que humildade é algo que deve permear o caráter e assim o fizeram.

Agora sim, a festa começa. Comes e bebes e muita música... sertaneja.