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O lead nosso de cada dia...

Dayse Bezerra

Durante a faculdade de Jornalismo, uma das primeiras aulas básicas é aquela que ensina a como se fazer um lead. E por falar nele, lá se foi a primeira linha do que deveria ser o mais relevante do meu texto. Que o diga o professor de rádio, Amarildo Augusto, que me ensinou com bastante veemência sobre este assunto. Acredito que nestes quatro anos de sala de aula, “tudo” que aprendi sobre ser uma jornalista se resume as perguntas básicas “o quê, onde, quem, como e por que”.

Sinto que academicamente este é meu ultimo lead a ser publicado. Agora, daqui pra frente o primeiro de muitos para o esperado e temido mercado de trabalho. A sensação de estar saindo desta rotina estudantil é estranha, mas com gostinho de saudade e ao mesmo tempo de alívio.

Saudades de muitos momentos. Do convívio pacífico de colegas de classe que nem parecem meus atuais concorrentes. De professores que em muitos momentos sorriram ou elogiaram meus textos, e que no final de tudo se tornaram meus parceiros de profissão.

Um sonho...

Porém muitos que desejam ser um jornalista, quando chegam na faculdade embarcam numa utopia exagerada de exclusivamente ocupar o lugar do Willian Bonner ou da Fátima Bernardes, de ter a voz do radialista Heródoto Barbeiro, ou de ser um articulista como o Diogo Mainardi da revista Veja – com total viabilidade. Porém estes parâmetros ganham outras dimensões quando descobrem que “quem” exerce esta profissão tem que começar a suar a camisa desde a sala de aula, abrir mão de noites sem dormir, ter equilíbrio emocional para trabalhar sob pressão, muito talento, determinação e convicção pelo que faz.

Na “facul”, os micos são muitos... Ainda bem que neste barco eu não estava sozinha. Lembro-me da frase do meu professor de criação, Martin Kuhn, que dizia: “Meus alunos, o momento de vocês pagarem mico é agora”. A faculdade me ensinou isso colocando a mão na massa, muitas vezes refazendo, reescrevendo, reeditando, regravando até acertar.

Mas agora, com o diploma na mão, o peso da responsabilidade é bem maior. Perante o campo jornalístico – onde o deadline é tolerância zero – pagar mico pode significar perda total, até do emprego.

Aprendizado...

A faculdade é uma etapa fundamental para encarar com maior garantia de competência a carreira profissional. Sem ela nunca entenderia de forma plena, conceituada, com o senso crítico desenvolvido e com o gosto pela profissão – constantemente provado – o mundo complexo do jornalista.

Aprender a perder o lado inibido de questionar, insistir, averiguar pelo que for necessário para simplesmente noticiar. Aprender a conquistar meu espaço na sala de aula, mesmo que pequeno diante do mundão das redações de TV, do rádio ou do impresso. Correr atrás de estágios, ou seja, ralar sem ganhos financeiros, mas no final ver seu trabalho veiculado, e depois comemorar a novidade ligando para os pais e amigos.

Quer mais? Neste mundinho eu aprendi que boas histórias podem estar a um palmo do nariz, ou logo ali no outro lado da rua. Que ser objetivo e ao mesmo tempo detalhista são fundamentais para exercer uma comunicação eficaz. Entre muitas outras coisas que só sentado numa carteira por quatro anos se consegue entender.

As experiências de sala de aula ensinam os passos para desbravar as fronteiras do mundo jornalístico. Convicto do caminho a percorrer, andar é o próximo passo, não esquecendo de respeitar os limites territoriais da ética e da responsabilidade social.

Depois de formado, a busca pelo conhecimento deve persistir em busca do diferencial. Como disse o jornalista Cláudio Abramo: “o jornalismo é o exercício diário da inteligência e a prática cotidiana do caráter”. 

Talvez você que está lendo este texto seja um atuante nesta área e pense que sou uma foquinha recém-formada cheia de ideais. Pode ser um estudante que está vivendo algumas destas experiências ou ansioso para senti-las. Ou nenhuma destas. O mais importante de tudo é que você está lendo por algum motivo especial. E se já chegou até aqui, sinto que pra mim foi válido escrever este “pequenino” lead. Até tentei responder todas as perguntas nas entrelinhas.

Porém desta vez vou encerrar o texto contrariando as regras do jornalismo – que me perdoem os meus parceiros – pois o mais importante está neste final. Se quiserem esquecer tudo que escrevi acima, eu perdôo.

Hoje, de tudo que passei e até onde cheguei – formada em Jornalismo –, sou grata a um grande Deus. Ele é meu maior exemplo de jornalista, porque desde quando esteve aqui na Terra aos dias atuais suas notícias continuam fazendo repercussão no mundo inteiro. Ele me motiva e inspira em tudo que faço nesta área.

Para tanto, eu grito com convicção: Sou formada e agora... é correr atrás da próxima pauta, do próximo lead.

 

Nome: Dayse Bezerra

Nascimento: 19/06/1984

Experiência profissional:

Articulista e/ou repórter nos sites Canal da Imprensa, Diário do Campus, Adsat, Parousia e Paraná Online. Editora-especial do Canal da Imprensa; articulista e/ou repórter dos jornais impressos O Regional, O Universitário, Tribunasp, O Imparcial. Apresentadora do programa de TV Mosaico. Reportagens para o jornal Destaque Santa Catarina, da rádio Novo Tempo/SC.