A maioria dos alunos que conclui um curso superior sempre tem a mesma preocupação. Os currículos são enviados aos montes e a briga por uma vaga no mercado de trabalho fica cada vez mais acirrada. É claro que em alguns casos esta inquietação tem a ver com o nível de preparo conquistado pelo estudante ao longo do curso. Mas em grande parte o problema se deve também a uma falha observada nas grades curriculares das universidades brasileiras. Nos bancos escolares o aluno aprende a ser empregado e não gerador de emprego. O primeiro que levanta a mão e pergunta ao professor sobre a possibilidade de montar um negócio por conta própria é desmotivado sempre com o mesmo argumento: se você não tem muito dinheiro para abrir uma empresa tem que ser operário.
A preocupação com este gargalo no ensino superior é comentada por Leila Navarro em O Que a Universidade Não Ensina e o Mercado de Trabalho Exige, publicado pela Editora Saraiva. Ela enfatiza que o auto-emprego é uma carta na manga, haja vista que as empresas não dão conta de absorver todos os profissionais que saem para o mercado. Em seu site, a autora afirma que “a autonomia é, cada vez mais, o que realmente pode dar segurança ao profissional moderno”.
Há algumas semanas, a imprensa divulgou um fato bastante animador, que realça a preocupação de algumas instituições de ensino no sentido de mudar o conceito de educação no País. A partir de 2007, a Universidade Estadual Paulista (Unesp) vai oferecer a disciplina de Empreendedorismo em todos os cursos de graduação. Por meio desta iniciativa se pretende incutir nos discentes a concepção de que eles também podem ser agentes empregadores. O projeto é de autoria do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de São Paulo (Sebrae) e será disponibilizado para qualquer instituição de ensino. Outras universidades já manifestaram interesse pela disciplina. Entre elas, a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e a Universidade Presbiteriana Mackenzie.
Ao longo desses quatro anos de faculdade foi possível perceber que alguns professores da habilitação Jornalismo do Unasp têm esta mesma visão e missão. Lembro-me dos comentários desses docentes quanto à necessidade de treinar os alunos para saber gerenciar uma empresa de comunicação. A maior escola, nesse sentido, foi o laboratório onde atuei como estagiário por mais de três anos: a Agência Brasileira de Jornalismo. Neste local, comecei a despertar interesse pela comunicação corporativa a fim de descobrir como os “gargalos” podem ser evitados dentro uma empresa, seja ela do gênero que for. Quem pretende saber mais sobre este assunto não deve deixar de ler A Meta , de autoria do consultor de administração, Eliyahu Goldratt. Esta obra também foi sugerida por um de meus mestres.
Além disso, a primeira vez que ouvi falar em terceirização na área de comunicação foi num bate-papo com um professor da instituição. Poucos alunos de Jornalismo sabem que esta é uma opção para aqueles que desejam ser autônomos na profissão. Muitos jornais impressos, por exemplo, já terceirizam espaço. É o caso de O Estado do Paraná, periódico de um dos maiores grupos de comunicação do Paraná. Essa alternativa livra os jornais de encargos trabalhistas e oferece a opção de o jornalista trabalhar de forma mais independente e, aliás, bem remunerada. No esquema de terceirização o lucro é a diferença entre aquilo que se paga ao jornal e a receita alcançada por meio dos anúncios. Portanto, quanto maior o leque de anunciantes tanto mais gordo será o ganho. A empresa fica responsável apenas pela impressão e distribuição do material. Quem não gostaria de ter o seu próprio caderno circulando dentro de um jornal já consolidado?
É muito gratificante para o aluno concluir um curso de Jornalismo com várias alternativas pela frente. Quem sabe os sonhos e aspirações de ser um profissional que pode recostar a cabeça sobre o travesseiro depois do expediente de trabalho e dizer que fez algo de bom pela humanidade – como afirmou Alberto Dines – não se tornem mais palpáveis!?
Quanto mais sinais de independência um profissional apresenta, mais evidente fica que ele aprendeu a caminhar com as próprias pernas no ambiente acadêmico. Bom seria se todos os recém-formados tivessem como cartão de visita a frase pronunciada pelo jornalista Mino Carta durante uma entrevista que realizei quando ainda estava no terceiro ano da faculdade: “Não tenho ‘rabo preso' com ninguém”. Isso a faculdade também deveria começar a ensinar.
Nome: Márcio Tonetti
Nascimento: 11/06/1984
Experiência profissional:
Estagiou cerca de um ano e meio na rádio CBN Mogi Mirim - entre agosto de 2003 e dezembro de 2004 – como repórter. Participou, inclusive, da cobertura das últimas eleições municipais.
Na área de TV atuou quatro meses como repórter do programa Fé Para Hoje, veiculado pela TV Gazeta. Boa parte, entretanto, de sua experiência se deu no jornalismo online. Foi sub-editor do Diário do Campus (pertencente à Agência Brasileira de Jornalismo) desde o segundo semestre de 2003 até meados de 2005.
Como articulista, passou pela revista eletrônica Canal da Imprensa, vencedora do 18.º SET Universitário na categoria Jornalismo Online, maior prêmio na área de jornalismo acadêmico do Mercosul, além de ter artigos publicados no Paraná-Online, site do grupo de comunicação Paulo Pimentel (GPP). Já teve entrevistas reproduzidas no Observatório da Imprensa, bem como no Master em Jornalismo, parceiro da Universidade Navarra, na Espanha. Teve ainda reportagens publicadas na Revista Adventista e na revista Escola Adventista. Ademais, foi secretário de redação e editor-chefe do Tribunasp, impresso do curso de Jornalismo do Unasp. Durante 2005 colaborou com a rádio Novo Tempo de Florianópolis.
Ao longo de sua graduação, Márcio Tonetti já participou de Semanas de Comunicação e também de Jornadas de Jornalismo em rádio, TV e mídia impressa. Em 2004 recebeu o prêmio Unasp de Comunicação na categoria “rádio”. Em jornalismo empresarial prestou assessoria de imprensa para o Dia Mundial da Alegria, evento que comemorou o centenário da Igreja Adventista no Estado de São Paulo. Atualmente é chefe de redação da ABJ. |