Política e economia. Essas duas editorias usualmente são nomeadas como nobres dentro da redação de um periódico. Pela autoridade que as leis exercem e pelo prestígio excessivo concedido ao capital, esses assuntos são classificados como primordiais. No entanto, é preciso lembrar que, para que os fundamentos da política pudessem existir e as diretrizes econômicas atuais fossem traçadas, um processo educativo teve que ser aplicado. A educação é a base para temas nobres. Mais nobre então é a educação.
Conscientes da relevância que o tema possui, o grupo de formandos em Jornalismo do Unasp, campus Engenheiro Coelho, Márcio Tonetti, Andréia Moura, Fernando Silva, Sandro Heringer e Rômulo Gomes, produziu um trabalho voltado para a educação. O caderno Letrado, um suplemento semanal sobre educação para jornal impresso, foi o projeto apresentado para que a equipe recebesse a aprovação no Trabalho de Conclusão de Curso. Mais que isso. Foi a realização de um sonho.
Enquanto trabalhava no jornal O Estado do Paraná, o mestre em comunicação e orientador da equipe que produziu o Letrado, Ruben Holdorf, percebeu a tendência de muitos jornalistas de comprarem espaços nos jornais para produzirem cadernos suplementares. Alguns criavam cadernos sobre automóveis, outros sobre saúde, e ainda outros sobre viagem e turismo, mas o professor tinha como objetivo criar um caderno que abordasse o tema educação. Porém, nessa época, Holdorf foi chamado para lecionar no Unasp e a idéia de criar o suplemento veio junto.
Assim, no primeiro semestre de 2005, o professor compartilhou seus planos com os alunos Márcio Tonetti e Fernando Silva para que fizessem dessa idéia um projeto de TCC. Impulsionados pelo plano do professor, os alunos passaram a reunir o grupo que daria forma ao caderno de educação.
Com o grupo formado, a fundamentação teórica foi muito facilitada pelo fato de o grupo ter encontrado uma pesquisa realizada pela Agência de Notícias dos Direitos da Infância (ANDI) sobre a divulgação de notícias sobre educação nos principais veículos impressos de todo o país. A partir dessa pesquisa, um questionário foi distribuído na cidade de Campinas e algumas outras localidades próximas para que se averiguasse a viabilidade editorial e econômica de um caderno de educação.
Pesquisas recolhidas, viabilidade editorial confirmada em uma região onde há universidades de grande porte e população interessada em educação, e viabilidade econômica possível por meio da possibilidade de terceirização do suplemento, o próximo passo foi pôr o plano em prática.
“Nós sabíamos que não conseguiríamos escrever todas as matérias sozinhos, então escolhemos algumas pessoas de confiança para redigirem algumas”, disse Andréia Moura. O Letrado abordou temas como a educação modelo apresentada na Finlândia, a educação à distância, o intercâmbio estudantil e a importância da inclusão social de deficientes em escolas normais.
Um ponto muito comentado por todos os que tiveram o suplemento em mãos após ter sido impresso para distribuição no dia da apresentação do TCC foi o projeto gráfico do Letrado. Um design atraente e inovador fez com que o projeto se tornasse visualmente agradável. “Eu acredito que os jornais impressos convergem pra esse tipo de diagramação. Hoje em dia, as pessoas lêem as notícias na internet. Assim, além de um texto interessante, o aspecto visual do jornal precisa ser atrativo”, diz Márcio Tonetti, que é chefe de redação da ABJ.
Após a realização do projeto, os cinco jornalistas traçam planos audaciosos. “Muitas vezes ouvimos que ao sairmos da faculdade temos apenas a oportunidade de sermos empregados de algum veículo. Eu acho que podemos alcançar mais. Podemos ser empreendedores. Donos de jornais”, afirma Márcio com a convicção de quem acredita que a educação realmente possibilita altos vôos. |