A grande dúvida que ronda e atormenta a cabeça dos alunos formandos é o mercado de trabalho. Os quatros anos passados dentro de uma atmosfera acadêmica, cheia de aprendizado, teorias, conceitos e também prática servem para revelar o perfil do profissional que será fora do campus.
O passo dado depois da formatura não deve ser encarado como zona de conforto. O diploma de ensino superior deve vir acompanhado da busca pelo primeiro emprego. Na prática todos falam que isso não acontece. As empresas têm receio de contratar recém-formados com experiência vivida somente dentro dos laboratórios da faculdade.
As empresas buscam a cada dia o perfil ideal do profissional e muitas não preparam mais os seus funcionários. Elas não têm mais tempo. Estão numa corrida pela atualidade. E o perfil que buscam é do profissional pluriapto, conceito novo no mercado de trabalho.
Segundo a professora Marly Timm, mestre em Educação com Ênfase em Aconselhamento Psicológico, o profissional pluriapto é conhecido como generalista, aquele que tem várias aptidões. A empresa vai exigir, a partir do momento que ele mostrar o diploma, a demonstração de todo o conhecimento que ele adquiriu na faculdade.
O profissional tem que estar preparado para exercer várias funções ao mesmo tempo. A professora Marly Timm destaca também o preparo técnico atualizado, o currículo em dia, criatividade e capacidade de antever as novidades do mercado. As empresas buscam do recém-formado uma característica destacada como ponto-chave do profissional de sucesso, que a professora aponta como sendo o relacionamento interpessoal.
As empresas esperam do profissional a capacidade de trabalhar em equipe. Muitas entrevistas já captam essa característica por meio de dinâmicas. A professora Marly aconselha que, além de um bom currículo, o profissional deve dominar essa nova tendência do mercado.
Outra tendência que pega os profissionais de surpresa está relacionada ao plano de carreira construído de forma errada. A professora Marly destaca que um currículo vasto que aborda várias áreas sem vínculo nenhum não é lucro. É importante que após a graduação busque-se as formações posteriores, como pós-graduação e mestrado. O mercado exige isso, sair do comum. O diploma vale por três a cinco anos, depois disso ele tem que ser atualizado.
E não compensa passar mais quatro anos fazendo um outro curso superior sendo que esse tempo e dinheiro pode ser investido na especialização. A professora Marly Timm aconselha o plano de carreira vertical. O ideal “não é fazer várias faculdades. É abrir várias pós-graduações dentro daquilo que é o alicerce, a graduação”.
Dentro da área de pós-graduação, o professor Roberto Azevedo, mestre em Comunicação pela Universidade de São Paulo, USP, mostra que a pós-graduação, além de título acadêmico e formação profissional, passou a ser necessidade. O diploma de ensino superior já não é mais novidade. “O título de pós-graduação é uma necessidade para o pessoal que está saindo da faculdade e atualização dos outros que estão há mais tempo atuando no mercado”, afirma Azevedo.
Ainda assim, um bom currículo muitas vezes não é o suficiente para o ingresso no mercado de trabalho. Yana Reis se formou em Jornalismo no Unasp em 2004 e acredita que as dificuldades existem em todas as profissões. Para ela, o profissional tem que ser esperto. “Hoje o mercado se abre para pessoas que têm diferenciais, pessoas ousadas”, realça Yana, baseada na própria experiência.
O jornalista Diogo Cavalcanti se formou no Unasp em 2005 e hoje atua como editor-assistente na Casa Publicadora Brasileira. Ele acredita que a especialização é tão inevitável no jornalismo quanto em outras áreas. Isso acontece quando o profissional percebe qual área é mais interessante e investe nela. Mas ele também observa que o perfil do profissional que o mercado procura é o pluriap to. “A chave que abre portas hoje não seria mais a especialização, mas a versatilidade”, afirma Cavalcanti.
Não resta dúvida que a concorrência é o maior obstáculo na busca pelo primeiro emprego. Fábio de Sá, também ex-aluno de Jornalismo no Unasp, acredita que o início sempre é difícil. A melhor atitude a ser tomada é mostrar todo o potencial, as habilidades, a capacidade que tem. Não importa se começou de baixo, o profissional tem que dar o seu melhor. “Há espaço no mercado, existe um crescimento, mas só os bons permanecem”, complementa Sá. |