Célio Rocha é repórter de um jornal carioca. Em um momento de sua vida em que possui mais de trinta anos e vive com os pais de favor na casa de uma tia, uma notícia mexe com o Rio de Janeiro. O Dr. Sabóia, um famoso empreiteiro, se suicida quando suas falcatruas e ladroagens no ramo imobiliário são descobertas. O herdeiro de toda a fortuna e problemas é Otávio Sabóia, filho do empreiteiro e altivo amigo de infância de Célio. Agora, sendo o foco da curiosidade jornalística do Rio, Otávio Sabóia diz que conversa com apenas uma pessoa: o jornalista e ex-amigo Célio Rocha.
Essa estranha ligação entre um executivo milionário e um jornalista de meia-idade move a trama de Redentor. Com os atores principais vindos da comédia (Pedro Cardoso como Célio Rocha e Miguel Falabella como Otávio Sabóia), o drama social é retratado com um humor sutil. Uma espécie de sátira irônica da realidade brasileira.
E a realidade inicial do filme é que Sabóia quer se sair bem da crise que assola sua empresa. Quando se descobre que o pai de Otávio havia construído vários edifícios pela cidade e sumido com o dinheiro dos compradores sem entregar-lhes os apartamentos, uma insurreição acontece. Os moradores da favela ao lado do Condomínio Paraíso, uma das obras não terminadas de Sabóia, invadem a construção apropriando-se dos apartamentos. A partir daí Otávio pede a ajuda de Célio Rocha para que faça uma matéria que mobilize o Governo do Estado a expulsar os invasores do prédio. Afinal, um empresário norte-americano está vindo ao Brasil e se presenciar o caos que domina a Sabóia Empreendimentos não investirá 50 milhões no que resta da empresa. Um negócio ilegal, já que a empresa está sendo processada.
É claro que se trata de uma rede de corrupção sem fim. Segundo o filme, estamos no Brasil e por isso todos têm seu preço, ou pelo menos quase todos. Célio resolve largar a ética que tem regido todas as suas reportagens e cede à Sabóia. A partir de uma foto onde uma das invasoras (Soninha - interpretada por Camila Pitanga) simula estar se deliciando em uma espreguiçadeira improvisada com pedaços de madeira e um carrinho de mão, o jornalista escreve a matéria mostrando que a invasão poderia servir de estopim para uma espécie de revolução social.
O governador do estado expulsa os invasores, o investidor norte-americano investe os 50 milhões de dólares e Célio Rocha ganha 5 milhões de Sabóia e agora poderá comprar um apartamento para seus pais. É o fim da miséria. Mas o começo do pesadelo.
Conseqüências da Corrupção
Vendendo sua integridade, Célio Rocha vende a vida de seu pai, Justo Rocha, que por sinal é o único personagem íntegro do filme. E por ser assim sofre há 17 anos. Sofre porque foi uma das vítimas de Sabóia. Sofre porque comprou o apartamento 808 do Condomínio Paraíso e nunca recebeu a sua casa própria. Assim, após saber da invasão, o senhor de idade vai até o 808 e pede à família que ali se instalou que lhe permita morar em seu sonhado apartamento. Fica no quartinho da empregada até que a polícia chega para esvaziar a construção. Na confusão, Justo sofre um ataque cardíaco e morre.
Com sua morte, Célio se desestabiliza. Apesar de ter o dinheiro fica aparentemente louco e tem visões. Andando sem rumo pára em uma delegacia. É detido com 5 m ilhões de dólares em uma maleta e arrependido delata Otávio Sabóia e seu esquema para fugir com o dinheiro do investimento ilegal.
Célio Rocha consegue fugir da cadeia e tenta distribuir os milhões de Sabóia entre aqueles que foram passados para trás pela construtora.
Tentando fazer o bem após ter causado uma tragédia com sua matéria, o jornalista não consegue o que quer e acaba morto em um novo levante dos moradores da favela. Otávio Sabóia é preso e na cadeia cria a seita “Filhos de Justo”. Uma ironia, já que nem na cadeia o roubo e a enganação cessam.
Redentor é um filme que mostra que para muitos o dinheiro está acima da ética e da verdade. E que, muitas vezes, a corrupção não está na primeira página. Muitas vezes a primeira página é a própria corrupção.
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