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Aprender a fazer do jeito certo

Jocielma Carlos

Hoje no mundo jornalístico há uma novidade difícil de ser ignorada. Em todos os países, a mídia tradicional está sendo transformada por uma competição que não existia: a sociedade. A internet invadiu a vida de milhões de pessoas alterando o comportamento da sociedade.

Com fácil acesso às ferramentas de publicações da rede, as pessoas deixaram de ser receptores silenciosos. Cada vez mais os internautas querem opinar, criar, interferir, debater, e também oferecer notícias. Surgiu assim o jornalismo cidadão.

Jornalismo cidadão é a idéia de jornalismo cujo conteúdo é produzido por cidadãos e divulgado através de novas tecnologias. Em outras palavras, a notícia é produzida pelo cidadão comum, isto é, a notícia é produzida por um “jornalista amador”.

As principais ferramentas da Web que permitiram novos espaços para a comunicação são os blogs, podcasts, flogs e vlogs. De acordo com os jornalistas Ana Carmen Foschini e Roberto Romano Taddei, autores do livro Jornalismo Cidadão - Você faz a Notícia – Coleção Conquiste a Rede, o jornalismo cidadão não exclui a produção dos jornalistas tradicionais. Ao contrário, acrescenta apenas a contribuição dos cidadãos, jornalistas inexperientes, que são testemunhas de fatos importantes. São pessoas que estão no lugar certo, na hora certa para cobrir um acontecimento importante.

Alguns fatores contribuem para o crescimento desse movimento: o baixo custo para a implantação de um projeto de jornalismo cidadão, a popularização das tecnologias de informação e comunicação e o fácil acesso à internet, que permite a divulgação do trabalho de forma rápida e fácil (enviar e-mail, fóruns, etc).

O jornalismo cidadão está em pleno desenvolvimento, e já existem várias formas de apresentar o mesmo conceito: jornalismo participativo, colaborativo, código aberto e grassroots.

No livro acima citado os jornalistas apontam algumas diferenças entre cada uma dessas formas. O jornalismo participativo ocorre com maior freqüência em blogs, quando uma matéria é publicada pelos veículos de comunicação e inclui comentários dos leitores, o que gera sua participação na notícia. O jornalismo colaborativo é usado quando mais de uma pessoa contribui para o resultado final da publicação, quer seja com vídeos, sons e imagens. O jornalismo código aberto define um estilo de jornalismo feito em sites wiki, que permitem a qualquer internauta alterar o conteúdo de uma página. E por último está o jornalismo grassroots, que é a participação na produção e publicação de conteúdo da web da camada da população que não participa das decisões da sociedade.

O jornalismo cidadão é alvo de vários debates e as opiniões são variadas. A ética, a veracidade da notícia produzida, a apuração sem regras e técnicas jornalísticas são temas discutidos.

O livro explica e traz dicas para os internautas de forma bem detalhada, pois, segundo os autores, o objetivo do livro é contribuir para a inclusão digital da população brasileira e facilitar o acesso a um mundo virtual necessário para a realização pessoal e profissional de cada cidadão.

Ana Carmen Foschini e Roberto Romano Taddei não se aprofundaram nas questões éticas do jornalismo, ficaram apenas no mero “aprenda a fazer do jeito certo”.

Gerações e gerações foram ensinadas a ser meros consumidores de notícias. O jornalista norte-americano Dan Gillmor defende a idéia de que cada pessoa deve ser mais que isso, um produtor de notícia.

A participação das pessoas com informações em noticiários tem crescido muito nos últimos anos. Prova disto foi o que aconteceu em 2005. Instantes depois do ataque no metrô de Londres, imagens daquele momento horrível começaram a aparecer em blogs, atualizadas instantaneamente do celular. O mesmo aconteceu com a tsunami. Foram imagens realizadas por amadores que traziam informações bastante relevantes.

Os autores conseguiram alcançar o objetivo de passar conceitos básicos de forma clara e concisa para ajudar a sociedade a interagir na era digital. O jornalismo cidadão não pode ser considerado uma forma de jornalismo, mas sim uma contribuição para o jornalismo profissional, pois são milhares ou, porque não dizer, milhões de testemunhas que estão no lugar certo e na hora certa dos acontecimentos. A questão da apuração da notícia e da ética que não foi aprofundada no livro. Cabe aos jornalistas profissionais aprofundar a pauta que chega até eles.