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Independência furada |
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| Raquel Canedo |
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Pode-se dizer que independência nada mais é do que liberdade, autonomia, fazer o que der na telha sem se preocupar com a opinião dos outros. Certamente o anseio de pessoas quando ainda são jovens é não precisar dar satisfação para ninguém e viver completamente livre, independente. Essa idéia de liberdade tão desejada não é exclusiva dos jovens, pois em um mundo em que opinar também é sinônimo de independência, observa-se uma mudança um tanto quanto preocupante, pelo menos para os jornalistas e profissionais da área. Ativistas do mundo inteiro, em países pobres ou ricos, se mobilizam para transmitir a idéia de que a mídia tradicional é coisa do passado, entra em cena um novo competidor fortíssimo, que não existia antes, chamado de, nada mais nada menos que, "a sociedade". Fortíssimo, porque cai por terra a idéia de que a mídia é feita para a sociedade, agora os papéis mudam, a sociedade toma conta da mídia e coloca nela o que bem entender. Blogs? Não, não são blogs, são sites que possuem conteúdo jornalístico, classificados como jornalismo cidadão sob o lema de que "todo cidadão é um repórter". Neles encontram-se fotos, fatos, matérias, artigos, reportagens, vídeos, enfim, uma infinidade de informações que, erradas ou não, são colocadas à disposição para quem quiser ver e acreditar. Um desses sites é o Centro de Mídia Independente, que também pode ser chamado de Indymedia. Presente em 31 países, foi criado em 1999, após protestos contra a Organização Mundial de Comércio, em Seatle. Ele atua em diversos projetos que, segundo o site, servem para a democratização da produção de mídia. Seria realmente democratização? No ano seguinte, após alguns ativistas participarem de um movimento de antiglobalização em São Paulo, foi a vez de a sociedade brasileira entrar para a Era CMI. Atualmente cerca de 400 ativistas trabalham como voluntários no site do Brasil, onde são publicados e reproduzidos vários materiais, isto desde que as publicações estejam de acordo com os princípios e objetivos da rede. Opa! Espere aí... e aquela história de mídia independente? O site só aceita relatos sobre o cotidiano dos oprimidos, informações sobre novas organizações, denúncias contra o Estado... sem falar nas matérias e artigos que ficam escondidos, porque não seguem a linha editorial do site. Mas e a independência da sociedade, onde foi parar? O mais estranho é que o site tem um link chamado "Apóie Indymedia", onde é solicitado muito gentilmente que as pessoas possam cooperar com doações, pois o "CMI não faz parte e não é mantido pelos grandes conglomerados de mídia e seus patrocinadores", é mantido por voluntários e pessoas que gostariam que ele continuasse a existir. Difícil é acreditar que uma mídia que nem por si só consegue ser independente, já que precisa de doações financeiras para se manter, lute para que a sociedade conquiste uma mídia independente. O site diz que não se responsabiliza pelo conteúdo dos artigos da coluna de publicação aberta, isto é, aqueles que não ficam escondidos. Quem se responsabiliza então? Os jornalistas que suam durante quatro anos para concluir uma faculdade com êxito? Alias, falando em jornalistas, onde estão eles que não tomam uma providência para que sites como estes não apareçam roubando seus diplomas? Não que a sociedade escreva melhor que eles, nem que a sociedade não saiba escrever, mas todos devem entender que cada macaco tem o seu galho, senão daqui a alguns dias os jornalistas serão extintos e a sociedade ficará a ver navios. |
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