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| Pauta quente, texto morno |
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Indiscutivelmente, o tema aquecimento global será recorrente o ano todo. A pauta é quente, e o problema, infelizmente, mais ainda. Na coluna passada, comentei que a escolha desse assunto era previsível e até imperativa. Porém, se acertamos em tratar da questão ambiental, uma pauta tão rica, pecamos pela superficialidade de muitos artigos. Aponto agora alguns deslizes. Começo pelas adjetivações exageradas, que se mostram muito subjetivas e generalizadas. As opiniões costumam se limitar ao senso comum, mostrando, talvez, a falta de pesquisa por parte do articulista. Apesar de não sermos especialistas ou cientistas da comunicação, espera-se um pouco mais de estudantes de jornalismo. Senti falta de comparações e contextualizações históricas. Veja, as matérias recentes sobre aquecimento global não podem ser vistas sem um resgate histórico. Esse fenômeno climático não vem de agora, assim como as pautas sobre ambientalismo. Quando se tratava da análise de impressos como Veja, Folha de São Paulo e demais, faltou analisar o comportamento editorial do veículo. Destaco aqui um estudo que não foi citado, que aliás é prata da casa: o Trabalho de Conclusão de Curso da ex-editora-chefe do Canal, Vanessa Candia, que estudou as reportagens de capa sobre meio ambiente das principais revistas de informação geral. Os pontos altos ficaram por conta da entrevista e da reportagem. A primeira supriu, em partes, essa lacuna de contextualização histórica do tema. Além disso, mexeu em questões muito importantes como as políticas públicas voltadas para o meio ambiente. Perguntaria ainda sobre o papel das ONG´s e da escola nesse processo de conscientização. Por fim, os aplausos ficam para a reportagem. Finalmente parece que vamos acertar o passo nesse sentido. Houve um avanço considerável. Apresentou diversidade e qualidade de fontes, com especialistas de várias áreas e universidades. Entrevistou gente que está envolvida diretamente com a questão. O texto foi bem construído e as informações bem pesquisadas. A diagramação das fotos também deu outra cara para a reportagem. Como ressalva, destaco a falta de algum representante do governo, como secretário de meio ambiente e, principalmente, de não termos dado voz ao povo. Pois precisávamos verificar como a população está reagindo a tudo isso. Há um sentimento de mero catastrofismo ou verdadeira conscientização? Essa pergunta poderia ser melhor respondida. Nosso próximo encontro é sobre “jornalismo cidadão”. Vale a pena exercer a sua cidadania. Mande sua opinião. Até lá!
Wendel Lima |
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