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Leitor-cidadão

 

A última edição, sobre jornalismo-cidadão, aproveitou a “deixa” sobre a participação do público na produção da informação para lançar duas ferramentas que visam promover a fiscalização, ou, no mínimo, a sua interação com o conteúdo do Canal . Agora você pode receber as manchetes da edição da revista no seu e-mail por meio da nossa newsletter. Pode participar também da nossa enquete, para que a gente “sinta” o quão pertinente são as nossas pautas, e qual é a sua opinião sobre algum tópico da temática da edição.

Por falar em enquete, vamos ao resultado da primeira. Do lançamento da edição 70, no último dia 30 de março, até a última terça-feira, dia 10 de abril, apenas 18 votos foram registrados. Sendo que nesse mesmo período o site recebeu 1111 acessos, o número dos que votaram representa apenas 1,62% dos usuários. É uma surpresa aparentemente negativa, que merece alguma reflexão. Levantamos aqui a possibilidade da falta de hábito dos leitores, já que é a primeira enquete do Canal , ou a falta de pertinência da pergunta.

Creio que a segunda não faz sentido, pois, já que o tema jornalismo-cidadão é ainda um assunto incipiente no Brasil, é relevante perguntar se os internautas têm o hábito de consumir informação de veículos produzidos pelo público. Quanto ao resultado em si, mostra que aqueles que participaram pouco conhecem ou acessam mídias alimentadas por jornalistas-cidadão, já que 33% disseram nunca ter consultado tais veículos, e 28% o fazem apenas ocasionalmente. De modo geral, penso que o melhor é observarmos a próxima edição a fim de pontuar alguma avaliação.

Depois das novidades, é hora de comentar a edição propriamente dita. A reportagem volta a merecer elogios. Parece que emplacamos mesmo. O tema é polêmico e incipiente, por isso a matéria tratou mais de levantamento de opiniões sobre o assunto e possíveis implicações dessa tendência para o jornalismo. A reportagem se destacou pelas fontes, como o Marcelo Beraba, que, por ser ombudsman (até março/07), tem essa visão mais apurada sobre a participação do público no jornalismo. Entrevistar os presidentes da Fenaj e do sindicato dos jornalistas de São Paulo também foi oportuno, pois mostra um pouco da visão institucional da classe, principalmente no que se refere à exclusividade da atuação profissional do jornalista.

A polarização de opiniões e definições era prevista e bem-vinda. Tivemos entrevistados com posições moderadas também, como a Ana Maria e o Mario Persona, que vêem essa tendência como uma participação maior do público, mas que não descartam o toque final do jornalista na produção da informação. Boas fotos e legendas. Bom título e suspensório. A reportagem só pecou em responder se o jornalismo-cidadão impõe aos jornais tradicionais a necessidade de aprofundar suas coberturas, tornando suas pautas mais investigativas e mais próximas do fato.

Muitos textos também se destacaram pela qualidade, como o “Jornalismo de baixo para cima”, que tocou num ponto muito importante, que é o possível interesse econômico dos grandes veículos na assimilação do jornalismo-cidadão. Seja para evitar a concorrência oferecida pelas mídias produzidas pelo público ou pelo aproveitamento a baixo custo ou custo zero dessa mão-de-obra.

Mais dois artigos que merecem menção positiva, são “O jornal do futuro vem do oriente?” e “Ciudadanos hablantes, pero...”. No primeiro, o articulista explicou o contexto da política e imprensa coreana, mostrou o impacto do veículo na sociedade local, especialmente nas eleições para presidente. Como deslize, teve a informação que a Coréia foi o país que mais se desenvolveu após a Segunda Guerra Mundial. Como sabemos foi o Japão.

No segundo, o aluno contextualizou o surgimento e informou detalhes do veículo, como os bastidores administrativos do mesmo. Tocou na questão ética do veículo publicar matérias anônimas dos repórteres-cidadão. Penso que só faltou tratar um pouco mais sobre o impacto dessa mídia na sociedade e no mercado espanhol.

A entrevista, mais uma vez, também fez valer congratulações. O entrevistado foi um dos mais indicados, pois pesquisa em nível de mestrado um tema incipiente como esse. As respostas procuraram definir jornalismo-cidadão, mostrar o papel das universidades em analisar essa tendência. O entrevistado ainda questionou se essa onda seria de democratização efetiva de acesso e produção da informação, já que apenas 20% dos brasileiros acessam a internet, e uma parcela menor ainda o faz por meio de banda larga.

Alguns artigos poderiam ter aprofundado um pouco mais a pauta, como “Canal Aberto” e “Monopólio ou precaução?”. Já outros, parecem ter fugido da pauta, como “A força vem do interior” e “Eu, você, nós repórteres?”. Para a resenha também teria algumas sugestões, como ter falado um pouco da experiência profissional e acadêmica dos autores, além de explorar a razão de o livro ter sido publicado exclusivamente em mídia online, comparando-o com outras iniciativas semelhantes.

Aproveito o gancho do título, despedindo-me com um convite para que você participe mais do Canal, seja por meio da enquete, coluna do ombudsman ou sugestões e críticas para a reunião interna de avaliação. Lembre-se, você é leitor-cidadão!

Wendel Lima
ombudsman@unasp.edu.br