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| Da história a Realidade |
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| Miguelli Simioni |
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Waldir Pires é um homem que nunca temeu o recomeço. Ele faz parte de uma geração de políticos que tentam passar a impressão que fizeram do Brasil seu projeto de vida. Pires nasceu na Bahia, onde cursou desde o ensino fundamental até a faculdade de Direito. Enquanto estudante, foi membro da União dos Estudantes da Bahia onde liderou o Movimento Anti-nazista. Aos 24 anos de idade foi convidado para ser o secretário de Estado no governo de Régis Pacheco. Nesta mesma época casou-se com Yolanda Avena, com quem teve cinco filhos. Desde então dedicou-se a politica. Em 1954 elegeu-se deputado estadual no governo de Antônio Balbino. Já em 1958 ocupou os cargos de deputado federal e de vice-líder do governo Juscelino Kubitschek. Em 1962 candidatou-se ao governo da Bahia e perdeu para o candidato Lomanto Júnior por aceitar o apoio do Partido Comunista. Por causa da derrota politica, trabalhou como Coordenador dos Cursos Jurídicos da UNB, onde exercia também a profissão de professor de Direito Constitucional. Em 1963 ele voltou a exercer cargos dentro do governo do Presidente João Goulart, que o convidou para ocupar o cargo de Consultor Geral da República. Com isso, Pires tornou-se responsável pelas análises e pareceres da juridicidade e da constitucionalidade das leis de Remessa de Lucros e Dividendos e da lei de Reforma Agrária, entre outras. Do exilio a liberdade: Pires viveu um grande momento da histrória da politica brasileira. Seu partido juntamente com o presidente João Goulart fez parte do golpe de 1964 conhecido como Movimento Cívico-Militar. Em 4 de abril, Waldir Pires teve seu nome estampado na 1º lista de perseguidos dos miliatres. Sem opção, saiu com Darcy de Brasília de madrugada, num monomotor conseguido pelo deputado Rubens Paiva, e foi para o exílio no Uruguai. Logo após, mudou-se para a França, onde lecionou Direito Constitucional Comparado e Ciências Políticas em Dijon e em Paris. Pires retornou ao Brasil em 1970, ainda em periodo de ditadura militar. Aqui trabalhou em uma empresa particular até a queda do AI-5, quando consegiu retomar seus direitos políticos. Em 1985 foi convidado pelo presidente Tancredo Neves a assumir o Ministério da Previdência. Aceitou o convite e permaneceu no cargo mesmo com a posse de José Sarney. No ano seguinte assumiu o governo da Bahia. Depois disso, foi novamente deputado federal. Em 1991 entrou em choque com o grupo do PDT e acabou filiando-se ao Partido dos Trabalhadores. De quem é a culpa? Após todos os altos e baixos de seus governos, Waldir Pires voltou a ser ministro em 2002. O presidente Lula o convidou para exercer o cargo de ministro da Controladoria Geral da União. E em 31 de março de 2006 assumiu o Ministério da Defesa, onde, apesar das críticas, permanece até hoje. Atualmente Pires enfrenta muitas dificuldades em seu ministério devido à recente crise aérea (assunto desta edição do Canal). Já foi até mesmo cogitada a destituição de seu cargo como ministro no início de abril deste ano. Os motivos seriam a irresponsabilidade e a demora para solucionar a crise. Para entender de quem é a culpa, precisa-se saber quem é responsável. A Infraero e os controladores de vôo são comandados pela força área, que é comandada pelo Ministério da Defesa - dirigido por Waldir Pires. O ministério faz parte do governo federal, cujo presidente é Lula. Ou seja, o presidente espera que seu ministro cumpra com suas responsabilidades e resolva o mais rápido possível o problema. E isso só aconteceu quando o ministro recebeu uma "bronca" de seu patrão. Mesmo com todo esse alvoroço na mídia, o presidente Lula não cedeu às críticas feitas pelos meios de comunicação e muito menos às pressões feitas por politicos da oposição. Ao invés de demitir Waldir Pires, o homenageou por fazer parte da história da democracia brasileira. |
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