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Atenção merecida

Dayse Hálima

O céu do Brasil estreou um espetáculo de drama. Um desastre envolvendo duas aeronaves, um Boeing 737-800 da Gol e um jato Legacy da Embraer, e a decisão dos controladores de tráfego aéreo em iniciar o que chamaram de operação-padrão, que é um espaçamento maior entre as decolagens; foi o estopim de uma crise que continua até hoje, 6 meses depois da colisão.

O Boeing caiu na floresta, causando a morte de todos que estavam a bordo, e o jato pousou sem que nenhum tripulante ficasse ferido. As conseqüências são visíveis, basta percorrer os aeroportos de todo o País: filas, vôos atrasados e desconforto para o consumidor, um caos total. Esse é o apagão aéreo, que ameaça constantemente o futuro da aviação comercial do Brasil.

Durante todo esse tempo foi possível atestar uma seqüência de irresponsabilidades. Não só no que se diz respeito à tragédia propriamente dita, mas ao desmazelo que os responsáveis pela solução do caso conduziram as investigações sem, por muitas vezes, respeitar a dor das famílias que perderam seus entes queridos.

O apagão aéreo é um escândalo administrativo e também político, que só tende a se agravar cada vez que se aproxima uma temporada de viagem, seja ela em pequena ou grande escala. Apesar de o setor de turismo ser um dos menos prejudicados, porque cerca de 70% dos passageiros da aviação comercial no Brasil viajam a trabalho. O caos ainda é maior nas rodovias brasileiras e é de extrema importância para a economia brasileira o transporte de mercadorias por avião.

E a mídia? Se portou bem?

A imprensa tratou de noticiar o acontecimento a cada novo fato. Horas em tom sensacionalista, horas em tom de competição, em alguns momentos da maneira que deveria ser: imparcial.

O diário Folha de S.Paulo foi bem representado nesse cenário. Noticiou em suas manchetes cada novo fato. O acidente envolvendo as aeronaves foi noticiado 38 vezes na capa da Folha, tanto falando do acidente em si, como do desenrolar das investigações e as decisões tomadas pelas famílias envolvidas. O apagão aéreo foi destaque no diário em aproximadamente 60 matérias de capa até o inicio do mês de abril, retratando os percalços e confusões travadas pela crise nos controles de vôo.

A Folha retratou o acidente sempre que surgiram novas ocorrências com detalhes e imagens que não fugiram da realidade do problema. O incidente perdeu lugar nas capas para as eleições presidenciais e para os ataques da facção criminosa Primeiro Comando da Capital, o PCC, no estado paulista. A morte do menino João Hélio recebeu grande repercussão nas capas do diário e afastou, por alguns dias, das manchetes a crise nos aeroportos.

Em comparação a outros veículos, a Folha deu maior destaque a questão do caos aéreo. Mas cometeu falhas. Em alguns momentos deu um tom sensacionalista a suas matérias. Um exemplo é a edição número 28.338, de 3 de novembro de 2006, na qual a foto da capa mostrava um passageiro deitado no chão, no meio do saguão do aeroporto de Salvador.

Na edição número 28.440 de 13 de fevereiro deste ano, o jornal fez a lição de casa. Transmitiu a notícia com detalhes e ouviu todos os lados envolvidos. A matéria "Carnaval faz Congonhas operar na madrugada" foi completa. Prestou um serviço de informação para a sociedade esclarecendo os problemas e a nova rotina do aeroporto para aquela época.

Toda essa crise da aviação comercial brasileira mereceu (e merece) uma atenção especial. Não importa se uma minoria usa o avião como meio de transporte, a sociedade tem o direito de ser informada. O diário Folha de S.Paulo fez isso. Cometeu erros, mas soube trazer para o leitor e consumidor a informação que ele precisava.